terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Pensamento de Frantz Fanon

Depois de muito ouvir falar pude por fim dedicar um tempo para conhecer um pouco melhor o Pensamento de Frantz Fanon... (a pausa no texto é uma representação simbólica da necessidade de respirar profundamente, recuperar o folego...)

Não estou certa se é possível voltar a respirar com normalidade depois de mergulhar ainda que superficialmente na ânsia de liberdade que transborda da alma de Fanon.

@s leitor@s estendo o convite por mim aceito... Bora avançar para águas mais profundas!

"Em uma época em que a dúvida cética tomou conta do mundo, em que, segundo os dizeres de um bando de cínicos, não é mais possível distinguir o senso do contra-senso, torna-se complicado descer a um nível onde as categorias de senso e contra-senso ainda não são utilizadas." https://www.geledes.org.br/frantz-fanon-pele-negra-mascaras-brancas-download/

Chamado à Plenária Estadual da Aproffesp: Dia 29/11/17 às 16 horas na ALESP

Profª Lucia Peixoto Diretora Estadual da APROFFESP reforçando a Importância das plenárias regionais e da Plenária Estadual que terá como tema: Filosofia Africana: Pela descolonização do pensamento.



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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ubuntu: Uma Filosofia Africana


Ubuntu é uma ética ou ideologia de África (de toda a África). É uma filosofia africana que existe em vários países de África que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras. A palavra vem das línguas dos povos Banto; na África do Sul nas línguas Zulu e Xhosa. Ubuntu é tido como um conceito tradicional africano.

Uma tentativa de tradução para a Língua Portuguesa poderia ser “humanidade para com os outros”. Uma outra tradução poderia ser “a crença no compartilhamento que conecta toda a humanidade”e ainda “Sou o que sou pelo que nós somos”.

Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:

Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.

Na esfera política, o conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária. A ideia de ubuntu inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros.


A jornalista e filósofa Lia Diskin durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África:

Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs, então, uma brincadeira paras crianças que achou ser inofensiva. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!” instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: –Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?

Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo.

fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

Conferência apresentada no V SEMINÁRIO PRESENÇA AFRICANA NO BRASIL realizado nos dias 14, 15 e 16 de outubro no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP), em Curitiba. https://youtu.be/WhmPdMdkkww

Para entender a História do Brasil!

A CONTRIBUIÇÃO DO NEGRO NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

O processo da colonização brasileira traz consigo traços culturais diferentes trazidos pelos europeus, índios e africanos, os quais contribuíram nos aspectos econômicos, sociais e políticos para a formação da identidade nacional. O negro começou a ser introduzido no Brasil no final do século XVI, com o objetivo de substituir a mão-de-obra indígena, passando a fazer parte como o principal construtor da grandeza econômica da colônia e um dos principais formadores da nossa sociedade. Falar sobre a contribuição do negro para a formação da sociedade brasileira é falar daqueles que plantaram cana-de-açúcar, garimparam o ouro, construíram casas, casarões, igrejas, fortes, sobrados, cidades inteiras, num mundo feito para brancos, os quais os viam apenas como animais ou objetos, ferramentas sem nome, sem memória, sem história e sem mérito algum pelo que realizaram na construção do país e da sociedade, que cada vez, mas os influenciava pela cultura, religião e até mesmo pela intensa mestiçagem, tanto com o branco como com o índio. O negro em geral não era tido como gente, e por isso não existia em termos de ter identidade, cultura e história. O negro, que outrora na África era príncipe ou rei de uma grande tribo, agora tinha seu nome, sua crença, sua dignidade e sua história apagada pelo europeu que o levou ao cativeiro.

O NEGRO NA ÁFRICA: O negro não veio de um continente desorganizado, sem cultura, sem tradição e sem passado. Essa visão distorcida da África era do europeu, ignorante de uma realidade diferente da sua. Para o europeu, o negro era um ser inferior e que só servia como escravo. A África tinha impérios e reinos, além de diversas confederações tribais e cidades-pousadas com seus ricos mercados no caminho do ouro, das especiarias e do marfim. Seus mercados eram ricos em variedades de coisas como o sal e até escravos (como os europeus também). Em toda a África havia povos guerreiros, pescadores, caçadores, pastores, comerciantes e agricultores, ou seja, não era um continente desorganizado como afirmava o europeu. A religiosidade africana é diversificada (animismo, islamismo, cristianismo, etc.), assim como os idiomas e etnias. Havia rivalidades entre diversos povos e etnias africanos, assim como havia também entre os europeus. Quem capturava os negros na África eram em sua maioria os próprios negros, inimigos de reinos e tribos rivais, em troca de mercadorias dos traficantes (armas, pólvora, fumo, cachaça, cavalos, etc.). Isso nem nada difere dos brancos, os quais também escravizaram e comercializaram brancos, na antiga Grécia e Roma).

A VINDA PARA O BRASIL: Geralmente, os negros condenados a serem escravos eram os capturados através de guerras (de etnias inimigas) ou caçadas, os quais eram trocados por aguardente e tabaco. Os maltratos se iniciavam já no navio negreiro ou tumbeiro, onde os escravos vinham aglutinados e presos uns aos outros nos porões. Ali mesmo faziam suas necessidades e quase não se alimentavam. Tais condições precárias de higiene e alimentação geravam doenças e mortes. Em torno de trinta e cinco dias durava a viagem de Angola a Pernambuco, quarenta até a Bahia, e cinquenta até o Rio de Janeiro. A mortalidade era alta a bordo (em torno de 20% dos escravos morriam durante essa longa viagem). A viagem nesses navios era certeza de morte para boa parte dos escravizados, mantidos amontoados como animais ou objetos, acorrentados. Os que adoeciam eram muitas vezes jogados no mar para que não dessem trabalho ou contaminassem os demais.

O NEGRO COMO MERCADORIA: O tráfico negreiro tornou-se um grande negócio, algo extremamente lucrativo, o que fazia com que os comerciantes portugueses não parassem seus navios para os devidos reparos, e tornou-se comum navios com problemas de calafetagem, imundície, mastros desgastados e outros problemas, alguns dos quais poderiam resultar em naufrágio. Tudo em nome do lucro a qualquer custo. Os navios eram bem equipados para o transporte, mas os traficantes, em busca de mais lucros, chegavam a aumentar a quantidade de escravos em prejuízo da quantidade de alimentos e até de água a bordo, pondo em risco a segurança de todos. Os negros viajavam empilhados sem espaço até mesmo para suas necessidades naturais. Os navios brasileiros eram menores do que os holandeses, mas carregavam mais negros: enquanto um holandês transportava 300 negros em uma caravela, um brasileiro podia chegar a transportar 500. Nessas condições, a taxa de mortalidade era elevada chegando a 57% o número de mortos em uma viagem. Quando os escravos chegavam ao Brasil, passavam pelo período de engorda para melhorar a aparência e obter melhor preço no mercado, já que chegavam magros e debilitados. Existiam duas formas de venda dos escravos: uma era a venda privada e a outra eram leilões públicos. Os leilões que geralmente aconteciam nos portos, eram feitos com escravos recém-chegados, quinze dias após o desembarque. Começava-se com os mais difíceis de vender (doentes, com problemas de dentição, ferimentos, etc.), finalizando com os mais saudáveis.

O NEGRO, MÃO-DE OBRA ESSENCIAL: Para o Brasil a importação de africanos fez-se atendendo-se a diversas necessidades e interesses, incluindo a falta de mulheres brancas, o serviço doméstico e até as necessidades de técnicos em trabalhos de metal, durante o ciclo da mineração. O Nordeste e o Sudeste da colônia fundaram sua riqueza sobre a produção maciça de alguns artigos primários de exportação, dentre as quais a cana-de-açúcar, que foi por muito tempo o produto rei, sobretudo nas áreas litorâneas. O negro foi o responsável pelo desenvolvimento do Brasil colonial. A terra de um engenho não valia grande coisa sem a presença da mão de obra negra necessária para todo o processo produtivo do açúcar. Durante o ciclo da mineração, o escravo também era a peça fundamental para a produção do ouro. No sul do país, a produção das charqueadas também foi baseada na mão de obra escrava. Escravos dos campos, das minas e dos sertões viverão de maneiras diferentes suas relações com a sociedade que os obriga ao trabalho forçado.

CONSTRUINDO A SOCIEDADE: “... Todo brasileiro, mesmo o alvo de cabelo louro, traz na alma e no corpo - a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro. No litoral, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, principalmente do negro. A influência direta, ou vaga e remota, do africano. Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo, na música, no andar, na fala, no canto de ninar, em tudo que é expressão sincera de vida. Trazemos quase todos a marca da influência negra. Da escrava que embalou, que deu de mamar, de come. Da negra velha que nos contou as primeiras histórias de bicho e de mal-assombrado. Da mulata que nos tirou o primeiro bicho-de-pé de uma coceira tão boa. Da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem. Do moleque que foi o nosso primeiro companheiro de brinquedo. Já houve quem insinuasse a possibilidade de se desenvolver das relações íntimas da criança branca com a ama-de-leite negra muito do pendor sexual que se nota pelas mulheres negras nos filhos de pais escravocratas. A importância psíquica do ato de mamar, dos seus efeitos sobre a criança, é na verdade considerada enorme pelos psicólogos modernos; e talvez tenha alguma razão para supor esses efeitos de grande significação no caso de brancos criados por amas negras. É verdade que as condições sociais do desenvolvimento do menino nos antigos engenhos de açúcar do Brasil, como nas plantações da Virgínia e das Carolinas - do menino sempre rodeado de negra ou mulata fácil - talvez expliquem por si sós, aquela predileção. Conhecem-se casos no Brasil não só de predileção, mas de exclusivismo: homens brancos que só gozam com negra. De rapaz de importante família rural de Pernambuco conta a tradição que foi impossível aos pais promoverem-lhe o casamento com primas ou outras moças brancas de famílias igualmente ilustres. Só queria saber de molecas. Outro caso, de um jovem de conhecida família escravocrata do Sul: este para excitar-se diante da noiva branca precisou, nas primeiras noites de casado, de levar para a alcova a camisa úmida de suor impregnada de bodum da escrava negra sua amante. Casos de exclusivismo ou fixação. Mórbidos, portanto; mas através dos quais se sente a sombra do escravo negro sobre a vida sexual e de família do brasileiro...”“...Longe de terem sido considerados apenas como animais de tração e operários de enxada, os negros desempenharam uma função civilizadora. Foram a mão direita da formação agrária brasileira; os índios, e sob certo ponto de vista, os portugueses foram a mão esquerda. E não somente na formação agrária. A mineração no Brasil foi aprendida dos africanos, ou seja, os negros ensinaram aos brancos as técnicas de garimpagem, trazidas da África. Max Schmidt destaca dois aspectos da colonização africana que deixam entrever superioridade técnica do negro sobre o indígena e até sobre o branco: o trabalho de metais e a criação de gado. Poderia acrescentar-se um terceiro: a culinária, que no Brasil enriqueceu-se e refinou-se com a contribuição africana...” (Freyre, Gilberto. Casa Grande e Senzala).


ORIGENS E RESISTÊNCIA: Como povo escravizado, o negro jamais deixou de lutar tanto para libertar-se da escravidão como para manter sua identidade cultural, que significou uma luta diária pela manutenção de seus valores culturais reelaborando-os para não perder tudo.
Os povos africanos trazidos para o Brasil são originários de diversas regiões da África: -África Ocidental - Yorubás (Nagô, Ketu, Egbá), Jejes (Ewê, Fon), Fanti-Ashanti (conhecidos como Mina), povos islamizados (Peuhls, Mandingas e Haussás);
-África Central - Bantos: Bakongo, Mbundo, Ovimbundo, Bawoyo, Wili (conhecidos como Angolas, Congos, Benguelas, Cabindas e Loangos);
-Sudeste da África Oriental - Tongas e Changanas entre outros (conhecidos como Moçambiques).
Estes povos trouxeram consigo seus costumes, crenças, línguas (hoje de uso litúrgico como o yorubá, o bakongo e o kimbundo), léxicos incorporados no nosso falar (línguas bantos), danças, ritmos, instrumentos musicais, culinária bem como seus deuses e seus ritos de culto. Mesmo dispersos no território brasileiro e, por vezes misturados para não se rebelarem (fazendo jus ao ditado "dividir para reinar"), retiveram uma parte de sua cultura para conservar sua identidade de grupo dominado. Por vezes, esta identidade constituiu um fator importante para resistir à escravidão. É o exemplo dos quilombos que existiram no Brasil-colônia dos quais o mais célebre foi o Palmares comandado por Zumbi. O Quilombo era uma instituição política dos guerreiros jagas ou yagas da Angola, termo que designava tanto a casa sagrada onde se realizavam as cerimônias de iniciação, como o campo de guerra e mais tarde o acampamento de escravos fugidos.
Nem a submetidos, nem os castigos físicos, eram suficientes para garantir a obediência dos escravos. Com alguma frequência, os castigos considerados excessivos podiam resultar em atos de vingança por parte dos escravos, resultando na morte do feitor, do senhor ou de seus familiares. Os escravos reagiam de diferentes maneiras diante da opressão do sistema escravista. Da mesma forma que promoviam fugas e revoltas, aproveitavam a existência de pequenos espaços para a negociação. Espaços que eles próprios conquistaram ao mostrarem aos senhores a necessidade de terem certa autonomia para o bom funcionamento do sistema escravista. Um destes espaços foi a criação de irmandades católicas de negros. As irmandades eram espaços permitidos dentro da legalidade nos quais o escravo podia manifestar-se, fora de suas relações de trabalho. Eram, assim, os únicos canais possíveis de organização dos escravos dentro do sistema colonial. Desempenhavam também a função de auxílio, em caso de doença e/ou morte, e proteção aos seus membros. Em certo sentido, era através da religião católica que o escravo encontrava algum lenitivo para sua situação. Tudo indica que a permissão para a criação das irmandades de negros tenha sido dada com o intuito de obter melhores resultados na cristianização dos escravos, já que, para muitos senhores, as manifestações de alegria de fundo religioso serviam para tentar evitar as rebeliões, fugas e violência. Ainda hoje subsiste uma visão bastante equivocada de como era exercido o domínio senhorial. Frequentemente, quando se fala em escravos tem-se em mente a imagem de uma pessoa de cor negra acorrentada a um tronco. Entretanto, as pesquisas têm mostrado que não eram raras as ocorrências de escravos que saíam à noite e aos domingos, voltando ao trabalho no dia seguinte. Era comum que negros desempenhassem funções que necessitavam de uma maior liberdade de ir e vir, como os escravizados que trabalhavam no transporte e venda de alimentos ou que trabalhavam embarcados. Isso sem falar em uma modalidade de exploração do trabalho escravo que consistia no aluguel do escravizado para terceiros, para os quais desempenhavam diversas atividades. Estes escravos eram chamados de “negros de ganho” e eram bastante comuns em ambientes urbanos. Os “negros de ganho” trabalhavam para seus senhores como vendedores, comercializando hortaliças, comidas prontas, peixes, fazendas e outros gêneros. Isso permitiu que muitos escravos conseguissem juntar certa renda para comprar sua carta de alforria.

A CULTURA: A contribuição negra vai além da povoação e da prosperidade econômica através do seu trabalho. Vindos de diversas partes da África, os negros trouxeram suas matrizes culturais e transformaram não apenas sua religião, mas todas as suas raízes em uma cultura de resistência social. A influência na língua portuguesa veio principalmente do iorubá, notada principalmente no vocabulário. (palavras como caçula, cafuné, moleque, maxixe e samba, entre centenas de outros vocábulos). O negro deu seu ritmo à música brasileira. Por isso se diz que a música popular brasileira nasceu na África. A raiz negra está em tudo: no samba, no pagode, no afoxé, no carimbó, maxixe, coco, maracatu, baião, forró, embolada, etc. Além dos ritmos, os africanos trouxeram também instrumentos, como o berimbau, agogô, maracá, alfaia, atabaques, etc. Nos esportes, o negro criou a capoeira, considerada desde 2008 como Patrimônio Cultural do Brasil e um dos poucos esportes genuinamente brasileiros.

A RELIGIOSIDADE: As diversas etnias africanas possuíam crenças diversas que se modificaram no espaço colonial. De forma geral, o contato entre nações africanas diferentes empreendeu a troca e a difusão de um grande número de divindades. A Igreja Católica se colocava em um delicado dilema ao representar a religião oficial do espaço colonial. Em algumas situações, os clérigos e os próprios donos de escravos tentavam reprimir as manifestações religiosas. Em outras situações, preferiam fazer vista grossa aos cantos, batuques, danças e rezas ocorridas nas senzalas. Do ponto de vista da elite colonial, a liberação das crenças religiosas africanas era positiva, pois alimentava antigas rivalidades contra outras etnias também aprisionadas, o que, em tese, dificultaria a ideia e a organização de fugas, revoltas e a formação de quilombos e levantes nas fazendas. Aparentemente, a participação dos negros nos rituais católicos poderia representar o ato de conversão; Contudo, muitos escravos, mesmo se reconhecendo católicos, não abandonaram a fé em sua religiosidade africana. Ao longo do tempo, a coexistência das crendices abriu campo para que novas experiências religiosas – dotadas de elementos africanos, cristãos e indígenas – fossem estruturadas no Brasil. Aos poucos nascem e se desenvolvem estruturas religiosas novas, mesclada de elementos africanos e europeus. Alguns senhores permitiram que os negros dançassem e cantassem aos sábados, domingos ou dias de festas. Já nas cidades, os batuques eram proibidos. Temia-se que os agrupamentos de escravos degenerassem em movimentos subversivos. As únicas festas autorizadas eram as de cunho cristão: a de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos pretos, as congadas e outras do mesmo gênero.

http://fsetemac.blogspot.com.br/2012/08/acontribuicao-do-negro-na-formacao-da.html

https://pt.globalvoices.org/2014/08/22/pensadores-modernos-africanos-identidade-lingua-regionalismo/

domingo, 19 de novembro de 2017

Por que um feriado Nacional para celebrar o Dia da Consciência Negra?

Em 9 de janeiro de 2003, foi sancionada a lei n°10.639/03 que institui a obrigatoriedade da inclusão do ensino da História da África e da Cultura Afro-brasileira, nos currículos de estabelecimentos públicos e particulares de ensino da educação básica.

Com a Lei 10.639/03 também foi instituído o dia 20 de novembro como dia Nacional da Consciência Negra sendo outorgada aos estados e municípios decretarem feriado ou não.
A data faz memória ao dia da morte do líder quilombola negro Zumbi dos Palmares. (1655-1695)

Em 06 de Outubro de 2017 a  Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou o Projeto de Lei 296/15, que transforma o Dia Nacional da Consciência Negra em Feriado Nacional

O parecer do relator, deputado Chico Alencar (Psol-RJ), foi pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do projeto e do substitutivo da Comissão de Cultura. Em vez de criar uma nova lei, o substitutivo modifica a Lei 662/49, que define os feriados nacionais.

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/546143-CCJ-APROVA-FERIADO-NACIONAL-NO-DIA-DA-CONSCIENCIA-NEGRA.html

ZUMBI DOS PALMARES
Zumbi nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi o principal representante da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.simbolo da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue ao padre jesuíta católico Antônio Melo, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa, latim, álgebra e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, fugiu de Porto Calvo para viver no quilombo dos Palmares. Na comunidade, deixou de ser Francisco para ser chamado de Zumbi (que significa aquele que estava morto e reviveu, no dialeto de tribo imbagala de Angola).

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

É justa a reivindicação do feriado nacional em memória dos quase 400 anos de escravidão e luta por liberdade. Uma data que representa a herança histórica da população negra no processo de libertação e de luta por direitos violados.


DANDARA DE PALMARES
São pouquíssimos os registros sobre Dandara, alguns pesquisadores, como o professor Kleber Henrique, a apresentam como uma guerreira evidenciando suas habilidades de líder e sua sede por liberdade. Além de esposa de Zumbi e mãe de 3 filhos, ela lutou com armas pela libertação total das negras e negros no Brasil, liderava mulheres e homens, também tinha objetivos que iam às raízes do problema e, sobretudo, não se encaixava nos padrões de gênero que ainda hoje são impostos às mulheres. É exatamente por essa marca do machismo que Dandara não é reconhecida nem estudada. A maior parte da sua história é envolta em grande mistério. Sabe-se que Dandara suicidou-se (jogou-se de uma pedreira ao abismo) depois de emboscada, em 6 de fevereiro de 1694, para não retornar à condição de escrava. Dandara vive em todas que lutam por liberdade.

https://www.geledes.org.br/e-dandara-dos-palmares-voce-sabe-quem-foi/https://www.geledes.org.br/onde-estao-os-herois-negros-na-historia-brasil/

Zumbi e Dandara de Palmares Presentes na luta de Tod@s que lutamos por liberdade!
Para alem do "racismo" hoje lembrado
Filosofo sobre a questão de Gênero
O lugar da mulher negra
Pela historiografia oficial usurpado
Faço memoria à Dandara de Palmares
Mulher negra guerreira
Que por amor foi com Zumbi casada
Capoeira das mais bravas
Empunhava armas, branca ou de fogo não importava!
Ao lado de Zumbi governava
Em defesa do Quilombo na luta por liberdade
Dandara não tombou viva
Se atirou dum penhasco
Melhor morta que escrava
Quisera a história, branca machista enterrar Dandara
Não lhe escreveram a biografia
Não registraram sua idade, Onde nascera, filha de quem era
Mas aqueles que se rebelaram, de boca em boca contaram
Se é verdade que Zumbi foi Rei
Dandara foi rainha de Palmares!

Lúcia Peixoto, Filósofa, professora de filosofia na Rede Pública de Educação do Estado de São Paulo, Poetisa e Militante Social.

Para entender melhor:
A campanha pelo feriado Nacional no dia 20 de novembro é em memória a Palmares, Zumbi e todos e todas que tombaram na luta contra a escravidão humana em 1695.

http://abcdaluta.com.br/post/campanha-pelo-feriado-nacional-no-dia-20-de-novembro-e-em-memoria-palmares-zumbi-e-todos-e-todas-que-tombaram-na-luta-contra-escravidao-humana-em-1695

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Sobre o Dia Mundial da Filosofia!


Sobre o dia Mundial da Filosofia, alguns dizem ser hoje, 15 de Novembro feriado no Brasil em "comemoração" ao dia da Proclamação da República". (Muito há que se refletir sobre a data, porém deixo a reflexão por conta d@s historiador@s) com o objetivo de focar na Filosofia. Agradeço e retribuo as felicitações, afinal como bem dizia Gramsci "Somos tod@s Filosofóf@s"! 


Segundo a UNESCO o DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA será amanhã.
" Dia Mundial da Filosofia celebra-se a 16 novembro em 2017. Este Dia Mundial da Filosofia foi implementado pela UNESCO em 2002 e comemora-se todos os anos na terceira quinta-feira de novembro. O objetivo do dia é enaltecer a importância da Filosofia na vida dos seres humanos e na vida em sociedade. Este é um dia de reflexão e de questionamento."

Aproveitemos então para refletir sobre o futuro da filosofia no Brasil, num momento em que o país sob a égide dos reacionários golpistas caminha para o mais profundo e obscuro abismo politico, econômico e cultural arrastando consigo a educação e o futuro das gerações vindouras.

Nós filósofas no sentindo gramsciano da palavra temos nos posicionado desde a primeira hora contrárias ao desmonte da Educação Pública patrocinado pelo golpe político que afastou a presidenta eleita outorgando ao seu vice a presidência da república. 
(ainda que pese as críticas e ressalvas ao governo de conciliação de classes da presidenta golpeada,"pelos seus próprios aliados". Continuaremos denunciado. Foi golpe!). Não aceitamos a Reforma do Ensino Médio que mais uma vez a exemplo dos governos ditadores do período militar querer banir às Disciplinas de Filosofia e Sociologia das nossas escolas alijando de forma aviltante toda a área das Ciência Humanas.

Nesta terceira quinta-feira dia 16 de novembro de 2017, vamos celebrar o Dia Mundial da Filosofia. Colocando a Filosofia no centro do desenvolvimento do pensamento crítico, corroborando o chamado da UNESCO no sentido de  os governos de todo o mundo incluírem o pensamento filosófico nos planos de estudo do ensino obrigatório e que não seja o Brasil o único a andar para trás.


https://www.diamundialdafilosofia.com.br/dia-mundial-da-filosofia

Lúcia Peixoto, Filósofa, professora de filosofia na Rede Pública do Estado de São Paulo.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

20 DE NOVEMBRO: CONSCIÊNCIA NEGRA!

A África é o nosso berço, a escola nossa mãe e o racismo a negação humana

(Aldo Santos)*


Por Aldo Santos: A campanha pelo feriado Nacional no dia 20 de novembro é em memória a Palmares, Zumbi e todos e todas que tombaram na luta contra a escravidão humana em 1695. Por quase quatrocentos anos a escravidão imperou em solo brasileiro, além de outras partes do mundo. Negros capturados na África eram uma forte moeda para os escravagistas, além de produzir as riquezas para os senhores de engenho e nas cidades como mão de obra escrava. Milhares de negros e negras foram torrados nos tachos dos engenhos, as mulheres estupradas pelos senhores e por vezes mutiladas pelas patroas que viam nelas uma permanente ameaça relacional.

Mas os negros não ficaram passivos diante dessa tragédia humana, ao contrário, reagiram à escravidão com muita coragem e luta. Existiram no Brasil centenas de quilombos, que foram centros de resistência para onde os negros fugiam para se organizarem, viver condignamente e também organizarem a luta contra os capitães-do-mato que serviam como força repressora dos senhores de escravo e dos governos locais.

Na história da humanidade grande parte dos pobres e prisioneiros de guerra de todas as etnias sempre foram escravizados, como na construção de grandes pirâmides no Egito, na grande Babilônia, no período feudal e na época colonial nas Américas. Nesse último caso, comercializar, deportar e matar negros fazia parte da lógica econômica do sistema colonial; no capitalismo emergente, a escravidão de trabalhadores, crianças, senhoras e velhos era prática comum, sendo que trabalhavam por mais de quatorze horas sem descanso até ficarem exauridos de suas forças vitais.

Durante todo esse período os filósofos burgueses ou das classes dominantes naturalizavam a prática da escravidão de ponto de vista econômico, moral, teológico e filosófico, tratando-os como sub-raças inferiores aos demais seres viventes. Houve até alguns “teólogos” que chegaram a afirmar que os negros e negras não tinham alma para justificar o tratamento desumano a que eram submetidos. Adam Smith justificava os fundamentos econômicos do capitalismo, Augusto Comte fortalece o caráter filosófico da sociedade industrial com a máxima que perdura até hoje no governo ilegítimo de Temer com o lema “Ordem e Progresso”, tomado de empréstimo da bandeira nacional. Porém, Karl Marx faz um corte epistemológico ao afirmar que cabe aos escravizados pelo capital, como os operários, os pobres, os intelectuais orgânicos e filósofos organizarem a luta de libertação, transformando a realidade e não naturalizar o mundo opressor construído ao longo da história. Assim como na Roma antiga Spartacus se rebelou e liderou a grande revolta dos escravos, assim também todos os povos têm a condição e o dever de reagirem a qualquer forma de escravidão!

No caso do Brasil, o número de comunidades remanescentes hoje chega próximo de cinco mil segundo dados da fundação Palmares. (http://www.palmares.gov.br/archives/3041).

O Quilombo de Palmares foi um dos mais destacados pelo nível de organização e resistência contra os colonizadores. “Com a formação do quilombo dos Palmares no interior pernambucano (naquele tempo não existia o Estado de Alagoas), dirigido pelo valente Zumbi, cujo nome de batismo era Francisco, tomou impulso, fama e ganhou o nome que hoje tem batizado que foi pelos negros, que chamavam seus habitantes de palmarinos. Desde os seus primórdios, a região era conhecida como os palmares, devido a predominância de sua densa e espessa vegetação, num intrincado de mata fechada que ocupava um extenso território de 260 quilômetros de extensão por 132 quilômetros de largura, em faixa paralela à costa, onde se distribuíam cerca de 50 mil habitantes, cuja faixa territorial situava-se entre o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e a parte norte do curso inferior do rio São Francisco, área situada aonde hoje está localizado o Estado de Alagoas, mas que naquela época pertencia à Capitania de São Salvador (hoje, Bahia).”( https://pt.wikipedia.org/wiki/Palmares).

Em disputa ferrenha contra Ganga Zumba, Zumbi vence a disputa interna e se torna um grande guerreiro e líder daquele povo, cujo significado do seu nome é O Deus das Armas. (http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/principais-quilombos-brasileiros).

Em 1888, mesmo com assinatura de Lei n° 3.353, de 13 de maio de 1888, que declara extinta a escravidão no Brasil, assinada pela Princesa Isabel; sabemos que foi por pressão da Inglaterra que tinha necessidade e interesse econômico em dominar o mercado internacional, portanto, com o “fim da escravidão” buscavam um novo mercado consumidor para suas manufaturas e o mercado brasileiro era muito promissor. Neste contexto entendemos que a Lei da abolição da escravatura se deu mais por interesse econômico e por pressão da Inglaterra do que propriamente por um sentimento humanitário, seja da Princesa, seja da aristocracia dominante durante o Império. Foi também um ato político da família real, uma vez que seu desgaste era grande perante a população e os abolicionistas, dado que apenas 5% dos negros restavam escravizados, pois os demais já haviam se libertado de seus senhores na raça e na luta, ou pagando sua alforria.

Em 15 de novembro de 1889, com uma simples quartelada, comandada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, o país abandona a monarquia e passa a ser, mesmo que de forma autoritária, uma República Federativa.

Na prática, os negros são expulsos das fazendas, sem nenhum direito, e ficaram perambulando pelas estradas, o que os leva a ser articularem e a se organizarem em alguns grupos, originando os núcleos de desvalidos e excluídos pelos poderes públicos, perdurando até os dias atuais, como percebemos nas periferias das cidades e que na capital do Brasil, Rio de Janeiro, ficaram conhecidos como “favelas”, em referência ao Morro da Favela situado na cidade do Rio.

A comemoração oficial da “libertação da escravatura” no dia treze de maio, dia da assinatura da “Lei Áurea” não deixa de ser uma iniciativa das elites de tentarem esconder, como sempre, a história e luta de resistência dos negros no Brasil, assim como se esconde na história oficial todas as lutas e revoltas das camadas populares em diversas regiões desse imenso continente chamado Brasil.

Há mais de trinta anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeriu que se comemorasse em 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, pois essa data era mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o dia 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o Dia da Abolição da escravatura em um de seus poemas, referindo-se à lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver... (https://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/1120---dia-da-nacional-da-consciencia-negra.htm)

O movimento negro diante dessa falta de identidade histórica e política debruça-se na história oral e escrita para recuperar nosso legado e começa a reescrever uma nova história a partir dos “condenados da terra “como o título do livro de Frantz Fanon.

Além da luta e das demandas específicas dos negros e negras, várias cidades passam a celebrar o dia 20 de novembro como o legítimo feriado da consciência negra.

SAIBA QUAIS CIDADES VÃO TER FERIADO NO DIA 20 DE NOVEMBRO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

http://abcdaluta.com.br/post/campanha-pelo-feriado-nacional-no-dia-20-de-novembro-e-em-memoria-palmares-zumbi-e-todos-e-todas-que-tombaram-na-luta-contra-escravidao-humana-em-1695

*Aldo Santos- Presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil, vice Presidente da APROFFESP, militante da apeoesp e do Partido Socialismo e Liberdade

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Poesia para acalentar a`lma!

Insonia, inquietação, corpo casando em demasia
Espirito ansiando por um sopro estoico
(A quietude dos antigos gregos)
Incerteza entre poetizar e deixar-me inerte a meditar
Desligar a racionalidade
Ouvir somente as razões do coração
Músculo condutor do meu sangue vermelho
Que dilata minhas veias
Quando ferve diante da Injustiça
Da covardia dos acomodados!
Causa-me náusea @s morn@s
Que não vivem uma vida gramsciana
Sem coragem de tomar partido
Indiferentes à sua própria sina!
Não sei odiar, nem mesmo os indiferentes
(Tão pouco parafrasear Gramsci)
Junto então minhas mãos em prece
Para que a crise se finde
Para que o velho finalmente Morra
E o novo possa então nascer
Sem que me aflija os mórbidos sintomas
E integra eu passe por esse interregno!
Com a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar
Coragem para mudar aquelas que posso
E sabedoria para distinguir uma da outra
Vivendo um dia de cada vez!

Que assim seja!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

MEU NOME: MULHER!!!

"No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!"
(Autora Desconhecida)


sábado, 21 de outubro de 2017

SER DE ESQUERDA HOJE!

Por: Valerio Arcary

Me perguntam, com frequência, o que significa ser de esquerda hoje. Quatro grandes escolhas definem o que significa ser de esquerda.
Em primeiro lugar, ser de esquerda é uma escolha moral. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera todas as formas de exploração e opressão indignas. Quem explora ou oprime alguém não pode ser livre. Não é possível a liberdade entre desiguais.

Em segundo lugar, ser de esquerda é uma escolha de classe. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera que o movimento dos trabalhadores é a nossa referência de esperança, e suas lutas são as nossas.

Em terceiro lugar, ser de esquerda é uma escolha política. Ao ser de esquerda abraçamos um projeto de luta pelo poder. Os trabalhadores devem governar para transformar a sociedade em função da satisfação das necessidades da maioria.

Por último, ser de esquerda é uma escolha ideológica. Ao ser de esquerda abraçamos o socialismo como aposta estratégica, ou seja, defendemos uma sociedade em que deveremos ser socialmente iguais, humanamente diferentes, e totalmente livres. Essa opção nos coloca em oposição à propriedade privada, portanto, ao capitalismo.
Esse programa não é possível em um só país. Ser de esquerda, portanto, significa ter um compromisso internacionalista com a luta pela igualdade social.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

NOTA DA APROFFESP: Nota contra o PL N° 920/2017 do governador Geraldo Alckmin que ataca os direitos dos servidores públicos do Estado de São Paulo


Em mais de duas décadas de governos tucanos no Estado de São Paulo, sofremos muitos ataques contra os direitos trabalhistas, com enormes perdas salariais, falta de negociação, o desrespeito, as mentiras, etc. Os professores/as sofrem há quase quatro anos sem reposição das perdas inflacionárias e a constante desvalorização profissional; para piorar, na semana que antecede o dia dedicado aos professores, recebemos mais um “presente de grego” na forma do Projeto de Lei N° 920/2017 que, além de manter o congelamento de salários, ameaça os parcos direitos que temos, tais como: evolução funcional, quinquênios, sexta-parte e todas as progressões previstas em cada carreira, sendo que ainda propõe o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14%. É um absurdo, é inadmissível!

A APROFFESP se soma às demais entidades na mobilização contra a aprovação deste Projeto de Lei nefasto e perverso que pretende creditar na nossa conta o ônus de uma crise alimentada pelo próprio PSDB e seus aliados, que em nível nacional patrocinaram o golpe parlamentar e dão sustentação ao governo ilegítimo de Temer e sua “reformas” que atentam contra os direitos constitucionais do conjunto da classe trabalhadora, além de todos os ataques aos avanços sociais, culturais e políticos que conquistamos nas últimas décadas, principalmente após a redemocratização do país.

Lembramos aos professores/as que nesses três últimos anos do terceiro governo de Geraldo Alckmin o salário dos secretários de governo, dos deputados estaduais, suas verbas, frota de automóveis e o salário do próprio governador foram reajustados! Ora, para eles a tal crise não existe? Por que somente os servidores públicos da saúde, da segurança e da educação têm de pagar a conta? Por que somos nós os bodes expiatórios de um regime que nos explora e exclui dos benefícios da riqueza gerada por todos? Um sistema que é calcado nos impostos sobre o consumo e na pesada carga tributária que recai principalmente sobre o setor produtivo e nos ombros dos trabalhadores e da “classe média”, um sistema que beneficia os rentistas e banqueiros com altíssimas taxas de juros, que não taxa como devia as grandes fortunas, que não elimina privilégios dos políticos e do judiciário!?

Não queremos as regalias dos altos executivos das empresas ou dos políticos e membros dos altos escalões do Judiciário, como o auxílio-moradia de R$4.750,00 dos juízes e desembargadores e verbas para comprar gravatas e ternos em Miami; queremos apenas o justo para continuar nosso trabalho como educadores sem adoecer ou estafar. É claro que o auxílio-alimentação poderia ter um valor maior, pois os R$8,00 do “vale-coxinha” é ridículo; e quem ganha acima de 141 UFESPs não o recebe!!! Assim como é ridículo o valor da hora/aula de um professor PEB 2 no início de carreira: R$12,08! Será que os parlamentares e os governos estaduais e federal não têm vergonha na cara quando dizem na mídia e nas campanhas que sua prioridade é a educação!? E ainda nos ameaçam de cortar o piso salarial nacional conquistado em 2008? E fazem propaganda enganosa com esse tal de “novo ensino médio”! E vêm nos dar parabéns no “Dia dos Professores”!?

Convocamos as professoras e professores, filósofas e filósofos, para cerrar fileiras pela retirada do PL 920/17, contra a perda de direitos e exigindo que o governador Geraldo Alckmin abra negociação e atenda as reivindicações da categoria. Com luta poderemos perder, mas sem ela jamais alcançaremos qualquer vitória!

DIRETORIA DA APROFFESP

CALENDÁRIO DE LUTA
DIA 26 DE OUTUBRO - 15 horas AUDIÊNCIA PÚBLICA na ALESP
DIA 27 DE OUTUBRO - 14 horas ASSEMBLEIA na Praça da República e as 16 horas ATO UNIFICADO DOS SERVIDORES PÚBLICOS - Paulista.

É preciso Lutar, Resistir e não Desistir Jamais!

domingo, 8 de outubro de 2017

Cá com meus botões!

Pensando cá com meus botões...
É o mundo que anda virado?
Ou sou eu que acordei às avessas?
Me sentido peixe fora d'água
Depois de ter me encantado com a tal Modernidade
Me espanta a Pós-Modernidade!
Mundo mercantilizado
Pessoas coisificadas
Sentimentos virtualizados
Verdades relativizadas
Um Asno sentado num trono Imperialista
Guiando a perigosa Águia de cabeça branca
E cá nas terras Tupiniquins outro Asno
Guiando uma porção de Patos por uma Ponte para o passado.
Retrocesso, dependência, escravidão...
Meus botões a tudo ouvem espantados
Enquanto a maioria (dos botões do mundo)
Parecem cegos, surdos e mudos
Espectadores bitolados
Botões presos em suas casas!
Botões......!!!???
Os meus são de rosas.

sábado, 7 de outubro de 2017

Me espanta o caranguejar da história!


Quando me ponho a filosofar emudeço de espanto diante de um mundo caduco a caranguejar...
Programas obsoletos de televisão anunciam como inéditas noticias que dão conta de vira- latas perseguindo o próprio rabo.
Pela internet nas redes sociais, disfarçadas de modernidade caricaturas de ideologias que se pensará mortas, mas na verdade estavam sendo mumificadas. (Por feitiço e não ciência querem voltar à vida). Múmias Nacionalistas que recebem dinheiro não declarado de estrangeiros para disseminar falsos "Movimentos por um Brasil Livre" que nada dizem de novo, reeditam velhas cartilhas nas cores verde e amarela, onde deitam ladainhas em apologia à "moral e a ética", à "família e os bons costumes", "amor à pátria"... tudo em nome de um suposto Deus-Masculino-Proprietário-Branco-Rei!

Ignoram os tolos! e as tolas que dizem amém!

Deus é menina e menino e vive por ai a soprar bolhas de sabão ao vento, enquanto eles correm para cobrir a nudez do corpo humano, vomitando insensatez contra a liberdade de expressão, presos as suas fontes narcísicas "acham feio tudo o que não é espelho", se condenando a morrem de inanição mas não sem antes matar uma legião de mentes rasas que se deixam alimentar pela ignorância de "ismos e fobias". Que se fartem até que seus pobres estômagos regurgitem os excremento de tanto racismo, machismo, xenofobia, homofobia... e outras porcarias mais, que engasguem-se e afoguem-se em sim mesmos.

Quanto a nós!?

Por mais espantadas que estejamos com o "caranguejar da história", é maior o encanto pela utopia que nos guia os passos. Apesar de Temer é preciso lutar, resistir e não desistir jamais!


Gratidão ao Poeta Rafael Rodrigues que inspirou a Reflexão. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Utopia Possível!


“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Eduardo Galeano


Meu olhar se fixa no horizonte... Um que de nostalgia, saudades das utopias da mocidade! Meu pote de ouro ainda está lá... é preciso continuar a caminhada o Arco Íris esta a me esperar!


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Orgulho de ser professora!

Hoje, terceiro dia de atestado médico, sinto-me ainda dolorida na carne que foi cortada e costurada, (anestesia local e 5 pontinhos apenas) a provocar um colossal incomodo na alma... ela sente-se solitária longe do chão da sala de aula (Meu templo sagrado).

Aproveito o forçado hiato para antecipar as merecidas comemorações do 15 de outubro dia dedicado ao professorado para mudar a foto de perfil nas redes sociais. A que escolhi apareço com o "semblante meio cansado" às 12:30 de uma segunda feira depois de 6 aulas seguidas, colando na porta do meu armário (Único espaço de privacidade) um cartaz sindical, tanto quanto meu ofício me orgulha a luta diária na defesa dos nossos direitos e da nossa dignidade.


Pensei em juntar umas palavras rimadas
Quando estou assim (meio nostálgica)
A poesia sai meio respingada
Mais prudente reeditar memorias passadas
Atualizadas no dia a dia da jornada
Me relendo... optei por esse que considero um lindo relato
Ainda que as frases não tenham sido poetizadas!
Transcrevo aqui o relato de 10 de maio de 2012, 00h11!

PROFISSÃO, VOCAÇÃO, REALIZAÇÃO!

Depois de 9 aulas lecionadas, não podia fechar o dia de hoje sem registro.
Logo na primeira aula, às sete da manhã, Teoria do Indivíduo com o 2º ano, 43 alunos na sala de aula! 43 vozes... hipérboles e ninfas ainda a crisalidar. É tanta ânsia de vida multiplicada... que me sinto no Estádio do Morumbi em final de campeonato, Com o meu Corinthians goleando o São Paulo... Na segunda aula mais 30 dos 3º anos com vozes mais afinadas, seguidos de mais 42 de um 1º ano e mais 40... e lá fui eu dia a dentro a filosofar e semear reticências... Ora falando de religião, ora de política, de felicidade vida e morte... burlando o senso comum, desafiando intelectos mal acostumados aos fones de ouvido, música alta e jogos eletrônicos.
“Misturando” Shakespeare com Karl Marx para chegar numa síntese do Sócrates Platônico... Ser ou não ser eis a questão... Tudo é uma questão de ponto de vista e o ponto de vista é sempre o ponto da questão... Visto que existem mais mistérios entre o céu e a terra do que pode supor a vã filosofia... Sigo além do simples pensar o mundo, no exercício da práxis, onde a única certeza valida é que sei que nada sei, mas penso e existo.
Às 00h11 dou por terminado meu dia de professora de filosofia, entregando-me ao abraço de Morfeu, sabendo-me merecedora de suas carícias!
Hoje, terceiro dia de atestado médico, sinto-me ainda dolorida na carne que foi cortada e costurada, (anestesia local e 5 pontinhos apenas) a provocar um colossal incomodo na alma... ela sente-se solitária longe do chão da sala de aula (Meu templo sagrado).


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ao mestre com carinho: Paulo Freire Presente!

Neste mar de ignorância letrada, de má fé intelectualizada não me deixo naufragar na dicotomia, pois em mim já não cabem dúvidas ideológicas e metodológicas, (filosóficas coleciono aos milhares.) Nado contra a maré seguindo pegadas imaginárias que me conduzirão à utopia possível, dentre os poucos que antes de mim se lançaram ao mar deixo me guiar pelos rastros de Paulo Freire, que hoje deve estar caminhando descalço pelos verdes campos a prosear com o camarada Jesus já que em vida sempre o teve como amigo e por certo nessas conversas devem falar sobre Marx, sim o Comunista barbudo que tantas vezes foi por Freire tratado como irmão.

Devaneios em tempos como estes que vivemos por certo merecerão criticas por parte daqueles e daquelas que embarcaram "na maquina do tempo" para desenterrar os maios obsoletos conceitos de moralidade, não deve faltar quem venha me acusar de heresia, ou ignorância política, desconhecimento histórico falta de senso crítico e sei lá mais o que, são tantas as asneiras que se tem dito e escrito em nome da fé cega e da ciência sapiente que a mim pouco importa. Deixo livre meu pensamento e lanço mão de licença poética para me esperançar parafrasear o mestre em suas primeiras linhas de Pedagogia da Esperança para ressalta a esperança como um elo entre os sonhos e a realidade.

Não há melhor homenagem (penso eu) ao mestre Paulo Freire que hoje completaria 96 anos, que alimentar a esperança, reavivar a necessidade da camaradagem com Cristo em fraternidade com Marx, pois a fé que remove montanhas (metaforicamente falando) impulsiona também a práxis, move as massas trabalhadoras na sua luta por vida digna, vida em abundancia. E desmascara os reacionários e reacionárias mercenários e mercenárias àqueles e àquelas que golpearam a democracia e usurparam o poder com seus discursos recheados de paralogismos para disfarçar sua ideologia de classe. (fundamentalista, fascista e excludente).

Com Freire devemos nos esperançar, sair da inercia, romper a espera, juntar os elos  e recompor a corrente. Mulheres, Homens, héteros ou  homonexuais somos todas e todos Seres Humanos nutridos da mesma esperança de que as injustiças, as desigualdades, a miséria, possam um dia senão desaparecer completamente, ao menos ser amenizada ou corrigida. Não podemos nos acomodarmos, usando como pretexto a desesperança, e compactuarmos ainda que indiretamente com os escândalos e problemas sociais que nos afetam diretamente. Avante... é preciso lutar, resistir e não desistir jamais! 

PARABÉNS MESTRE PAULO FREIRE PELOS SEUS 96 ANOS
Lúcia Peixoto, Filósofa, Professora de Filosofia, Poetisa, Bacharel em Ciências da Religião, Licenciada e Pós Graduada em Filosofia, Diretora de Relações Sociais e Movimento Sindical da Aproffesp.

domingo, 17 de setembro de 2017

28/09 PLENÁRIA ESTADUAL DA APROFFESP: FILOSOFIA QUE TE QUERO VIVA SOCIEDADE SEM MORDAÇA!

Com o Tema: FILOSOFIA QUE TE QUERO VIVA: SOCIEDADE SEM MORDAÇA A APROFFESP reafirma seu posicionamento contrário aos projetos golpistas no Brasil (Reforma do Ensino Médio, Reforma, Trabalhista e Previdenciária, "Escola sem Partido", entre outras) e a “onda reacionária, fundamentalista e excludente que ronda o mundo inteiro”. É inacreditável que tal conservadorismo ressurja com tanta força em pleno século XXI, "provando que na história nem sempre caminhamos para frente, nem sempre evoluímos." E por isso precisamos estar atentas e mobilizadas para evitar esses retrocessos e lutarmos organizadas e unidas para além das questões especificas de gênero contra as forças da direita fascista e do neoliberalismo excludente e concentrador de renda.

É neste contexto social adverso que se constata um crescimento assustador da violência contra a mulher, nos remetendo à uma cultura machista patriarcal que ainda não foi superada por grande parte da sociedade que ainda vê o corpo da mulher como "objeto de realização do prazer do homem" do qual ele pode dispor quando e onde lhe convir (até mesmo no transporte público, como temos visto nos noticiários diariamente). A violência Domestica (aturada no decorrer da história da humanidade) tornou-se pública e deve ser combatida e a pratica de feminicídio exterminada.
"Nenhuma a menos!" Pelo direito da mulher estar onde, quando e como ela quiser!




FILOSOFIA QUE TE QUERO VIVA: SOCIEDADE SEM MORDAÇA!

Com o Tema: FILOSOFIA QUE TE QUERO VIVA: SOCIEDADE SEM MORDAÇA A APROFFESP reafirma seu posicionamento contrário aos projetos golpistas no Brasil (Reforma do Ensino Medio, Reforma, Trabalhista e Previdenciaria, "Escola sem Partido", entre outras) e a “onda reacionária, fundamentalista e excludente que ronda o mundo inteiro”. É inacreditável que tal conservadorismo ressurja com tanta força em pleno século XXI, "provando que na história nem sempre caminhamos para frente, nem sempre evoluímos." E por isso precisamos estar atentas e mobilizadas para evitar esses retrocessos e lutarmos organizadas e unidas para além das questões especificas de gênero contra as forças da direita fascista e do neoliberalismo excludente e concentrador de renda.

É neste contexto social adverso que se constata um crescimento assustador da violência contra a mulher, nos remetendo à uma cultura machista patriarcal que ainda não foi superada por grande parte da sociedade que ainda vê o corpo da mulher como "objeto de realização do prazer do homem" do qual ele pode dispor quando e onde lhe convir (até mesmo no transporte público, como temos visto nos noticiários diariamente). A violência Domestica (aturada no decorrer da história da humanidade) tornou-se pública e deve ser combatida e a pratica de feminicídio exterminada.

"Nenhuma a menos!" Pelo direito da mulher estar onde, quando e como ela quiser!




Publicado abono de Ponto para as plenárias estaduais da ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS DO ESTADO DE SÃO PAULO
quinta-feira, 14 de setembro de 2017 Diário Oficial Poder Executivo - Seção I São Paulo, 127 (173) – 27
Despachos do Secretário, de 13-9-2017 Documento: 4714/0001//2017 Interessada: Aproffesp Assunto: Afastamento Diante dos elementos de instrução que constam dos autos, e atendidas as disposições do artigo 69 da Lei 10.261/68 e Decreto 52.322/69, Autorizo, nos termos propostos, o afastamento dos Professores de Filosofia e Diretores da Aproffesp para participarem das Plenárias Regionais Unificadas e Plenária Estadual, no dia 28-09-2017 promovidas pela Associação dos Professores da Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo.
Protocolo: 4776/0001/2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

15 DE SETEMBRO: TODAS ÀS RUAS NENHUM DIREITO A MENOS!


“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem. ”
Rosa Luxemburgo
@s mestres com Carinho

Professoras e Professores do Estado do São Paulo, há mais de duas décadas a educação pública vem sendo sucateada com sucessivos ataques aos nossos direitos e uma brutal desvalorização salarial agravada pela crise política, econômica e sob tudo ética na qual o país está mergulhado.

Não podemos continuar inertes diante dos ataques do governo golpista de Temer com as chamadas “Reformas” que na verdade são um desmonte das leis trabalhistas e retirada de direitos do conjunto da classe trabalhadora da qual fazemos parte. A categoria precisa se fortalecer para enfrentar as consequências da aprovação da Reforma do Ensino e barrar a implementação arbitraria no Estado de São Paulo onde Alckmin intensifica sua política nefasta de desmonte das escolas públicas e desvalorização da profissão docente, não bastasse os salários aviltantes, sem sequer corrigir a inflação dos últimos 3 anos, atacam a todo momento nossa liberdade de cátedra, com interferência pedagógica imposição do uso das “cartilhas” ameaça de sindicância e outras formas burocráticas de coagir e limitar nossa liberdade.

Na contramão da história vemos avançar propostas reacionárias como o projeto “Escola sem Partido” cujo título é na verdade uma “máscara de ferro” para nos amordaçar e garantir que somente seja transmito nas escolas a ideologia dos grupos dominantes que usurparam o poder e hoje “dão as cartas no Brasil’.

No próximo dia 15 DE SETEMBRO temos a tarefa de construir UMA GRANDE ASSEMBLEIA para forçar o governo a atender nossa pauta de reivindicações com ênfase na Campanha Salarial, Não ao reajuste zero, Contra a Reforma da Previdência e Revogação da “PEC da Morte” TODAS ÀS RUAS” NENHUM DIREITO A MENOS!

É preciso Lutar, Resistir e não Desistir Jamais!


Lúcia Peixoto, Filósofa, Professora de Filosofia, Poetisa, Bacharel em Ciências da Religião, Licenciada e Pós Graduada em Filosofia, Diretora de Relações Sociais e Movimento Sindical da Aproffesp.

domingo, 10 de setembro de 2017

Analogia para Coxinha que se acha Pato da Fiesp

Navegando pelas redes sociais me deparei com essa "perola" sobre a DEFINIÇÃO DO TERMO COXINHA. Colo aqui mantendo a linguagem informal com as devidas abreviações do autor (desconhecido)

A origem de "coxinha" 

"Quando estou entre meus amigos eu costumo relatar uma historieta acerca da gênese da expressão "coxinha". Hoje, depois que um amigo me pediu para contá-la novamente, eu achei que seria uma boa hora para registrá-la por aqui para que todos vcs pudessem conhecê-la.

O nome/ termo "Coxinha" veio de uma gíria já existente há décadas na cidade de São Paulo e que antes designava apenas um xingamento direcionado aos policiais. “Encarregados de fazer a ronda, eles se alimentavam de coxinha em bares e lanchonetes – e, em troca, garantiam a segurança local." Prestavam, em meio ao seu turno de serviço público, um bico de segurança momentânea a certos comerciantes que lhes ofereciam como pagamento apenas migalhas (coxinha e café coado).

Esses policiais costumavam e ainda costumam espantar das portas das padarias e similares os pivetes e os jovens moradores das comunidade locais. Eles costumavam e costumam espantar/afastar jovens que muitas vezes cresceram juntamente com seus irmãos e que por vezes frequentaram ou frequentam as mesmas escolas que eles frequentaram. Ou seja, são todos conhecidos, têm o mesmo berço econômico e social.

Tais jovens, ao serem "afastados/espantados" para longe dos estabelecimentos comerciais guardados pelos policiais ficavam furiosos e gritavam para os tais policiais: "seu coxinha, vc sabe que eu não sou bandido. Vc me conhece. Vc está defendendo esse cara em troca de uma mísera coxinha. Coxinha, coxinha!" Ou seja, o coxinha, naquele contexto, era um Xingamento dirigido a um policial que se escondia de sua própria condição (pobre, favelado e sem estirpe, mas que enganado por seu uniforme, pensava ser igual ou próximo ao rico comerciante e o avesso dos jovens pobres que ele espantava do local).

A expressão coxinha passou então a ser sinônimo daquele que defende um status quo ao qual ele não pertence. Ele defende os ricos, pensa ser rico, mas na verdade é um objeto a serviço dos ricos. Um instrumento para subjugar os seus iguais. O coxinha nunca terá o poder de um Aécio, dos Marinho ou de qualquer outro milionário ou mero empresário, mas ao defendê-los, o coxinha julga ser igual a eles.

Esses milionários não reconhecem o coxinha como seu par em igualdade, mas sim como um instrumento barato que defende e garante que ele (milionário) sempre tenha mais e mais.

O coxinha (na acepção primeira) é o policial que faz segurança na frente das padarias: defende o rico comerciante, acha q é amigo do dono da padaria, mas no fundo é apenas um instrumento barato. Esse policial vira as costas para os seus iguais, impede-os de esmolar por ali, usa da força para tira-los do campo do rico comerciante. Mas, caso uma desventura aconteça e esse policial venha a perder o seu emprego, esse rico comerciante não lhe garantirá direitos, nem comida e nem apoio. De modo oposto, os seus iguais, a sua comunidade, certamente lhe oferecerão o apoio necessário e até farão alguma rifa para ajudar sua família a não passar fome.

É isso: o coxinha é aquele que luta por alguém que nunca, jamais irá garantir-lhe os direitos de que ele precisa. O coxinha é o enganado. O termo se generalizou e passou a descrever o cara que pensa que um governante rico e poderoso irá construir melhorias para os trabalhadores, quando na verdade esses trabalhadores receberão desse tipo de governante apenas migalhas.

O coxinha pensa que é classe dominante. Ele se uniformiza à classe dominante: usa camisa polo de marca, já foi aos states, comprou casa e SUV financiados, critica as cotas e os nordestinos, fala mal do SUS e da ignorância da faxineira. O coxinha é o policial uniformizado na porta da padaria que pensa ser diferente dos jovens da comunidade. O coxinha é o cara que põe gel no cabelo e sai por aí esnobando o seu brega Rolex e pensa ser igual ao CEO da multinacional. Ambos enganados, ambos coitados, ambos à mercê da fuga de suas origens.

Essa é a história da gênese da expressão coxinha e que eu desencravei há alguns anos em uma das tantas pesquisas que fiz por São Paulo.

Coxinhas são aqueles que viverão ao sabor das migalhas frias acompanhadas de café coado. A eles restará sempre e tão somente a azia e a má digestão, pois quem se iguala ao diferente recebe o que esse diferente acha que ele merece: coxinhas frias e nunca uma CLT."

sábado, 9 de setembro de 2017

“ESCOLA SEM PARTIDO”: O QUE ISSO SIGNIFICA?

Por Dermeval Saviani

No Brasil o atual governo, resultado de um golpe parlamentar, vem tomando várias iniciativas na direção do abastardamento da educação. A par de medidas como cortes no orçamento, destituição e nomeação de membros do Conselho Nacional de Educação sem consulta, um sinal emblemático da intervenção nos próprios conteúdos e na forma de funcionamento do ensino é o movimento denominado “Escola sem partido” que se apresenta na forma de projetos de lei na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e em várias Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais do país.

O referido projeto é chamado por seus críticos de “lei da mordaça”, pois explicita uma série de restrições ao exercício docente negando o princípio da autonomia didática consagrado na legislação e nas normas relativas ao funcionamento do ensino. A motivação dessa ofensiva da direita tem um duplo componente.

O primeiro é de caráter global e tem a ver com a fase atual do capitalismo que entrou em profunda crise de caráter estrutural, situação em que a classe dominante, não podendo se impor racionalmente precisa recorrer a mecanismos de coerção combinados com iniciativas de persuasão que envolvem o uso maciço dos meios de comunicação e a investida no campo da educação escolar tratada como mercadoria e transformada em instrumento de doutrinação.

O segundo componente tem a ver com a especificidade da formação social brasileira marcada pela resistência de sua classe dominante sempre resistente em incorporar a população temendo a participação das massas nas decisões políticas. É essa classe dominante que agora, no contexto da crise estrutural do capitalismo, dá vazão ao seu ódio de classe mobilizando uma direita raivosa que se manifesta nos meios de comunicação convencionais, nas redes sociais e nas ruas. Nesse contexto, se aprovado o projeto da escola sem partido todo o ensino, incluída a formação dos professores, estará atrelado a esse processo de destituição da democracia como regime baseado na soberania popular, colocando o país à mercê dos interesses do grande capital e das finanças internacionais.

Diante desse quadro volto a advogar a resistência ativa que implica dois requisitos: a) que seja coletiva, pois as resistências individuais não têm força para se contrapor ao poder dominante exercido pelo governo ilegítimo e antipopular; b) que seja propositiva, isto é, que seja capaz de apresentar alternativas às medidas do governo e de seus asseclas.

Nesse processo de resistência contamos com uma teoria pedagógica cujo entendimento das relações entre educação e política é diametralmente oposto àquele esposado pela “escola sem partido”. Trata-se da pedagogia histórico-crítica.

Para a pedagogia histórico-crítica na sociedade de classes, portanto, na nossa sociedade, a educação é sempre um ato político, dada a subordinação real da educação à política. Dessa forma, agir como se a educação fosse isenta de influência política é uma forma eficiente de colocá-la a serviço dos interesses dominantes. E é esse o sentido do programa “escola sem partido” que visa, explicitamente, subtrair a escola do que seus adeptos entendem como “ideologias de esquerda”, da influência dos partidos de esquerda colocando-a sob a influência da ideologia e dos partidos da direita, portanto, a serviço dos interesses dominantes. Ao proclamar a neutralidade da educação, o objetivo a atingir é o de estimular o idealismo dos professores fazendo-os acreditar na autonomia da educação em relação à política, o que os fará atingir o resultado inverso ao que estão buscando: em lugar de, como acreditam, estar preparando seus alunos para atuar de forma autônoma e crítica na sociedade, estarão formando para ajustá-los melhor à ordem existente e aceitar as condições de dominação às quais estão submetidos. Eis por que a proposta da escola sem partido se origina de partidos situados à direita do espectro político com destaque para o PSC (Partido Social Cristão) e PSDB secundados pelo DEM (Democratas), PP (0Partido Popular), PR (Partido da República), PRB (Partido Republicano Brasileiro) e os setores mais conservadores do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Como se vê, a “escola sem partido” é a escola dos partidos da direita, os partidos conservadores e reacionários que visam manter o estado de coisas atual com todas as injustiças e desigualdades que caracterizam a forma de sociedade dominante no mundo de hoje.

Enfim, guiados pela pedagogia histórico-crítica, é imperativo organizar a luta contra as medidas do governo imposto após o golpe que afastou a presidente eleita e especificamente contra as propostas do movimento “escola sem partido” e contra tudo o que ele representa. Nessa fase difícil que estamos atravessando, marcada por retrocesso político com o acirramento da luta de classes lançando mão da estratégia dos golpes parlamentares visando a instalar governos ilegítimos para retomar sem rebuços a agenda neoliberal, derrotada nas urnas, resulta imprescindível combatermos as medidas restritivas dos direitos sociais, entre eles, o direito a uma educação de qualidade, pública e gratuita, acessível a toda a população. Essa foi e continua sendo, agora de forma ainda mais incisiva, a nossa luta. A luta de todos os educadores do Brasil.

Bora lá semear: Porque hoje é mais um dia!

Porque é sábado o relógio não despertou
Sai cedo da cama
Passei preguiçosamente o café
E cá estou a ruminar
... ... ...
Quarenta e sete anos bem vividos
Os primeiros lá na roça
Plantando rosas
Colhendo cenouras
Deitada no gramando
Lendo história que as nuvens desenhavam
Rabiscando corações nos troncos de arvores.
Aos quinze pintando a cara
Caminhando contra o vento
Falando de flores e derrubando presidente.
Me fiz semente
Plantei estrelas
Vesti vermelho
Me auto flagelei
Puberfei a puberfose me metamorfosei!
Preludiei o Apocalipse
Recriei a criação
Sangrei na Cruz por Paixão
Renasci na manjedoura
Sem tento, Sem terra fiz-me multidão
juntei-me a outras bocas famintas
Juntos aprendemos a dizer não!
Não a injustiça, não a opressão!
Os sonhos que antes sozinha eu sonhava
Tornaram-se projetos de realizações.
... ... ...
Não só porque é sábado
Mas porque todo dia é dia de sonhar
Vou quebrar a rima
E plantar girassol!



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

7 de Setembro: "Nenhuma a Menos" É o nosso Grito por Independência!

UM GRITO POR LIBERDADE

Antes mesmo do B-A-BA
Aprendi na Escola Rural
Lá no Noroeste do Paraná
A marchar de mão no peito
Trajando as quatro cores da Bandeira Nacional
Filha da Pátria Independente
Aos oito anos pouco sabia eu de liberdade
Concentrada na dor nos pés
Ação das velhas alpargatas
Que já marchara no ano anterior
Apertando os pés da irmã mais velha
Pareciam rebelar-se agora
Negando-se a seguir a repetição cívica!
Acompanhei o protesto
Errei a letra do hino
Cantei alto pra mãe ouvir
“Ou deixar os meus pés livres
Ou morrer de tanta dor!”
A mãe acostumada a apertar os pés
Acreditava ser valida a passageira tormenta
O importante era seguir a Marcha
A mim só restava aprender a lição
Ser Brava Brasileira!
Então dei lá o meu jeitinho
Longe de me tornar Servil
Estufei o peito e repeti ainda mais alto
“Vou deixar os meus pés livres
Não vou morrer pelo Brasil!”
Fingi uma dor de barriga
Fui tirada da fila
E descalça sorridente
Longe do desfile de 7 de Setembro
Murmurei para mim mesma
“Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil!!!


GRITO DAS MULHERES EXCLUIDAS!
“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilantes durante toda a sua vida”
Simone Beauvoir

O Grito dos Excluídos, surgiu em 07 de setembro de 1995 no berço das Pastorais Sociais da igreja católica com o lema: “A Vida em primeiro lugar”, cresceu rapidamente e tornou-se uma manifestação popular carregada de simbolismo, “um espaço de animação e profecia”, aglutinador de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. “O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade”.
A 23ª edição do Grito dos Excluídos se dá em um dos momentos mais emblemáticos da curta história democrática do nosso país, que passa por um “golpe pseudodemocrático” com a cassação de uma presidenta democraticamente eleita para dar lugar a um presidente ilegítimo, denunciado (e não investigado) que aliado a um parlamento composto em sua maioria por cumplices, igualmente denunciados em esquemas de corrupção, muitos investigados e alguns até condenados, promove um verdadeiro desmonte das instituições viola a constituição e saqueia direitos da classe trabalhadora, com anuência do poder judiciário.

Em momentos como estes de acirramento de crises por todas as partes do mundo que tende ao retrocesso e a proliferação de ideologias fundamentalistas de extrema direita. “Olhamos pelo retrovisor da história” e parafraseamos uma das maiores pensadoras dos últimos tempos, Simone de Beauvoir que nos alertou que “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.” O que nos coloca diante da necessidade urgente de defender os poucos avanços (significativos é bem verdade) mas ainda insuficientes para garantir que nossa voz seja ouvida e nossa dignidade resguardada.
Neste 7 de Setembro gritamos em defesa das vítimas da violência, do silêncio e da omissão de uma sociedade que ainda admite ranços de uma cultura patriarcal excludente. Segundo o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: 50.000 mulheres foram mortas no país entre 2001 e 2011, o que dá uma média de 4,6 assassinatos para cada cem mil habitantes. O Brasil se coloca na sétima posição mundial, entre os países nos quais mais se matam mulheres. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública o Estado de São Paulo registra um caso de feminicídio a cada 4 dias, o que nos coloca diante da necessidade urgente de um amplo debate e de uma atuação mais eficaz na fiscalização quanto a aplicabilidade da Lei nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, e da Lei nº 13.104/15 que entrou em vigor no dia 9 de março de 2015 definindo o crime de Feminicídio (assassinato de mulheres motivado justamente por sua condição de mulher) qualificando-o como hediondo.

Em todas as marchas, nós mulheres gritamos ao lado, quando não à frente de nossos valorosos camaradas, por Vida em primeiro lugar, trabalho e terra para viver, justiça e dignidade. Porque “Aqui é o meu país” e o Brasil viu que “um filho teu não foge” e luta por progresso e vida, por uma pátria sem dívidas. Podíamos ter feito acontecer estava em nossas mãos a mudança, a força da indignação, sementes de transformação, queríamos participação no destino da nação e perguntamos onde estão nossos Direitos?

Fomos às ruas para construir o projeto popular, com respeito à terra “Pacha Mama” e defendemos os direitos da juventude e de lutar por Democracia! E agora conclamamos a todas para dar um passo à frente encarar o debate de gênero, fazer cair as mordaças e não mais permitir que nenhuma mulher seja ameaçada, agredida, estuprada ou assassinada, na intimidade do lar, em praça pública ou onde quer que queiramos estar.

“Nenhuma a menos!” É o nosso grito de independência!                               https://youtu.be/VBUeD5pasLk

Lúcia Peixoto, Filósofa, Professora de Filosofia, Poetisa, Bacharel em Ciências da Religião, Licenciada e Pós Graduada em Filosofia, Diretora de Relações Sociais e Movimento Sindical da Aproffesp.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

GRITO DAS MULHERES EXCLUÍDAS: “Nenhuma a Menos!” É o Nosso Grito de Independência!

“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilantes durante toda a sua vida” 
Simone Beauvoir


O Grito dos Excluídos, surgiu em 07 de setembro de 1995 no berço das Pastorais Sociais da igreja católica com o lema: “A Vida em primeiro lugar”, cresceu rapidamente e tornou-se uma manifestação popular carregada de simbolismo, “um espaço de animação e profecia”, aglutinador de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. “O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade”.

A 23ª edição do Grito dos Excluídos se dá em um dos momentos mais emblemáticos da curta história democrática do nosso país, que passa por um “golpe pseudodemocrático” com a cassação de uma presidenta democraticamente eleita para dar lugar a um presidente ilegítimo, denunciado (e não investigado) que aliado a um parlamento composto em sua maioria por cumplices, igualmente denunciados em esquemas de corrupção, muitos investigados e alguns até condenados, promove um verdadeiro desmonte das instituições viola a constituição e saqueia direitos da classe trabalhadora, com anuência do poder judiciário.

Em momentos como estes de acirramento de crises por todas as partes do mundo que tende ao retrocesso e a proliferação de ideologias fundamentalistas de extrema direita. “Olhamos pelo retrovisor da história” e parafraseamos uma das maiores pensadoras dos últimos tempos, Simone de Beauvoir que nos alertou que “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.” O que nos coloca diante da necessidade urgente de defender os poucos avanços (significativos é bem verdade) mas ainda insuficientes para garantir que nossa voz seja ouvida e nossa dignidade resguardada.

Neste 7 de Setembro gritamos em defesa das vítimas da violência, do silêncio e da omissão de uma sociedade que ainda admite ranços de uma cultura patriarcal excludente. Segundo o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: 50.000 mulheres foram mortas no país entre 2001 e 2011, o que dá uma média de 4,6 assassinatos para cada cem mil habitantes. O Brasil se coloca na sétima posição mundial, entre os países nos quais mais se matam mulheres. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública o Estado de São Paulo registra um caso de feminicídio a cada 4 dias, o que nos coloca diante da necessidade urgente de um amplo debate e de uma atuação mais eficaz na fiscalização quanto a aplicabilidade da Lei nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, e da Lei nº 13.104/15 que entrou em vigor no dia 9 de março de 2015 definindo o crime de Feminicídio (assassinato de mulheres motivado justamente por sua condição de mulher) qualificando-o como hediondo.

Em todas as marchas, nós mulheres gritamos ao lado, quando não à frente de nossos valorosos camaradas, por Vida em primeiro lugar, trabalho e terra para viver, justiça e dignidade. Porque “Aqui é o meu país” e o Brasil viu que “um filho teu não foge” e luta por progresso e vida, por uma pátria sem dívidas. Podíamos ter feito acontecer estava em nossas mãos a mudança, a força da indignação, sementes de transformação, queríamos participação no destino da nação e perguntamos onde estão nossos Direitos? Fomos às ruas para construir o projeto popular, com respeito à terra “Pacha Mama” e defendemos os direitos da juventude e de lutar por Democracia! E agora conclamamos a todas para dar um passo à frente encarar o debate de gênero, fazer cair as mordaças e não mais permitir que nenhuma mulher seja ameaçada, agredida, estuprada ou assassinada, na intimidade do lar, em praça pública ou onde quer que queiramos estar.

“Nenhuma a Menos!” É o Nosso Grito de Independência!

Lúcia Peixoto, Filósofa, Professora de Filosofia, Poetisa, Bacharel em Ciências da Religião, Licenciada e Pós Graduada em Filosofia, Diretora de Relações Sociais e Movimento Sindical da Aproffesp.

Lúcia Peixoto - Presidenta da APROFFESP Convida para às Plenárias de 22/...

ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS/AS  DO ESTADO DE SÃO PAULO CONVIDA - Plenárias Regionais e Plenária Estadual TEMÁTI...