quinta-feira, 13 de março de 2014

Para revolucionar o pensamento é necessário revolucionar a sociedade!

  • Para revolucionar o pensamento é necessário revolucionar a sociedade!


Karl Marx (1818-1883) 


Do lugar "espiritualista" que me encontro, entendo ser o materialismo histórico de Marx uma importante chave de leitura para compreensão da história real dos seres humanos a partir das condições materialistas nas quais vivem.  O olhar filosófico sobre a obra de Marx nos permite compreender a história em seu movimento dialético, como bem Reflete o comentário do Marxista José Carlos Miranda. (https://www.facebook.com/Miranda.Socialista?fref=ts)

“Em cada etapa da história humana, os homens e mulheres desenvolveram alguma forma de interpretar o mundo e refletiram acerca do lugar que ocupam nele, desenvolvendo assim uma filosofia. Os elementos utilizados para se elaborar esta interpretação foram obtidos mediante a observação da natureza e através da generalização das experiências do dia a dia.
Há pessoas que creem não necessitar de nenhuma filosofia ou concepção do mundo. Contudo, na prática todos têm uma filosofia, inclusive se não está desenvolvida de forma consciente. As pessoas que se guiam pelo mero “senso comum” e que pensam que se saem bem sem a teoria, na prática não fazem mais que pensar à maneira tradicional. Marx dizia que as ideias dominantes na sociedade são as ideias da classe dominante. Para manter e justificar seu domínio, a classe capitalista faz uso de todos os meios disponíveis para distorcer a consciência do trabalhador. A escola, a Igreja, a televisão e a imprensa são utilizadas para fomentar a ideologia da classe dominante e para doutrinar os trabalhadores a aceitarem o seu sistema como a forma mais natural e permanente da sociedade. Na ausência de uma filosofia socialista consciente, aceitam inconscientemente a filosofia capitalista.”
Em cada etapa da sociedade de classe, a classe revolucionária ascendente, que tem por objetivo mudar a sociedade, terá de lutar por uma nova concepção do mundo e terá que atacar a filosofia antiga, que, se baseando na velha ordem, justificava-a e defendia-a.”

A dialética materialista analisa a história do ponto de vista dos processos econômicos e sociais, divididos em  quatro momentos: Antiguidade, feudalismo, capitalismo e socialismo, sendo que os três primeiros sucumbiram às contradições internas.  A contradição da antiguidade é a escravidão; a do feudalismo são os servos; e a do capitalismo é o proletariado. O socialismo seria então a síntese final, momento em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético.

 “A teoria materialista de que os homens são produto das circunstâncias e da educação, e de que, portanto, os homens modificados são produto de circunstâncias distintas e de uma educação modificada, esquece que são os homens, precisamente, os que fazem com que mudem as circunstâncias e que o próprio educador necessite ser educado. Daí que esta doutrina conduza, forçosamente, a dividir a sociedade em duas partes, uma das quais está acima da sociedade. A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação somente se pode conceber e entender racionalmente como prática revolucionária”. (Marx,Terceira Tese sobre Feuerbach)

“O problema de se poder atribuir ao pensamento humano uma verdade objetiva não é um problema teórico, e sim um problema prático. É na prática onde o homem tem que demonstrar a verdade, isto é, a realidade e o poder, a concretude de seu pensamento. A disputa em torno à realidade ou irrealidade do pensamento – isolado da prática – é um problema puramente escolástico(Marx, Segunda Tese sobre Feuerbach).

Destarte, concluo que no momento histórico em que vivenciamos uma crise sem precedentes do capitalismo em todo o mundo, ler, compreender e experimentar na prática a obra de Karl Marx é uma necessidade, uma urgência filosófica, politica e sobre tudo existencial (correndo o risco de ser redundante na conclusão).

Para não concluir: A revolução de Marx na filosofia - reflexões sobre as Teses de Feurbach
http://www.marxismo.org.br/content/revolucao-de-marx-na-filosofia-reflexoes-sobre-teses-de-feurbach 

quarta-feira, 12 de março de 2014

filosofia e debates teóricos

Blog que divulga a produção teórica marxista no Brasil contemporâneo



http://marxismo21.org/filosofia-e-debates-teoricos/

SÓCRATES: Autoconfiança "Conheça-te a ti mesmo"



Sócrates ao proclamar-se ignorante tensionava elevar o debate fazendo com que seu interlocutor percebesse a própria  ignorância, de modo a acessar a sua verdadeira consciência. 

Sócrates  acredita que  a tomada de consciência da própria ignorância se constitui em elemento primordial na busca da verdade.

Como Sócrates, nós educadores devemos alimentar o desejo de auxiliar na edificação de um Ser Humano melhor.

Acredito que quanto maior o conhecimento de si mesmo, maior o autocontrole e a capacidade de dialogar com sigo mesmo e com o meio em que se vive. 

"Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se 
preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e 
com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela 
seja quanto possível melhor, e vou dizendo que a virtude não nasce da 
riqueza, mas da virtude vem, aos homens, as riquezas e todos os outros 
bens, tanto públicos como privados." (Platão)

Fonte: Apologia de Sócrates
http://www.xr.pro.br/if/platao-apologia_de_socrates.pdf




)



No cotidiano da sala de aula, mergulho no universo dos educandos adolescentes indo ao encontro da máxima socrática “só sei, que nada sei”. Constato minha ignorância e forço-me a seguir em frente no difícil e prazeroso porfiar em busca da verdade em si.

O que é a verdade que tanto almejamos? Sócrates dizia que a verdade, quando é possível chegar a ela, está num conceito impossível de contradizer. Logo, a busca da verdade é uma constante, é a práxis filosófica em si mesma, é o distanciar-se do rebanho e contemplar o horizonte com olhar próprio. A verdade só pode ser alcançada quando partimos de nós mesmos com consciência de que somos também o ponto de chegada.

Conformar-se e “seguir o rebanho” é por vezes mais fácil, porém, a passividade é incompatível com a busca da verdade. Sócrates nos ensina que o mais  importante não é o saber e sim o que faremos da sabedoria que julgamos possuir uma vez que a sabedoria deve modificar o ser e purificar a alma. A busca da verdade é concomitante à busca da liberdade, sendo a liberdade pressuposto essencial para atingir a autoconfiança, afinal para haver escolha, é preciso conhecer o objeto escolhido.


Destarte, lecionar filosofia numa perspectiva socrática é aventurar-se nesta viagem incansável em busca da verdade intrínseca a cada ser, assumindo o desafio de “ser obstetra de alma”. Compete ao filosofo professor de filosofia “ajudar a parir a verdade de quem está predisposto a assumi-la”. No entanto, para que o educando se disponha a buscar a verdade filosófica é necessário provocar-lhe o espanto diante do já descoberto e a curiosidade diante dos mistérios do universo e da própria condição humana. 

domingo, 9 de março de 2014

O mito feminino

O LUGAR SOCIAL DA MULHER 

Nós mulheres, protagonistas de nossas histórias sabemos bem o peso quem tem sobre nós, milênios de dominação machista/patriarcal, desde os mitos de criação até os dias de hoje sobre nós recai a culpa da existência do mal, afinal Pandora abriu a caixa, Eva comeu o fruto proibido e seduziu o homem e Lilith não se submeteu. 

PANDORA

Pandora foi criada por Zeus, que deu ordens a Hefestos para que modelasse da terra e água e pusesse voz e força humana, além de feições semelhantes às deusas imortais, com forma de virgem. Depois, todos os deuses colocaram dons na criatura, tanto qualidades como defeitos. Atena lhe ensinou os trabalhos. Afrodite devia lhe pôr além da graça, um terrível desejo e preocupações devoradoras de membros. Ao mesmo tempo em que recebe beleza, possui desejo terrível, configurando sua dualidade boa e má. Hermes, o astuto deus, pôs espírito de cão, que “indica sua capacidade de absorver, com seu ardor alimentar, toda a energia do macho” . Recebeu colares de ouro e flores. Por fim, Hermes colocou em seu peito “mentiras, sedutoras palavras e dissimulada conduta” 
Ela recebeu o nome de Pandora, por possuir todos os dons. 
Após ser enviada a Epimeteu como um presente de casamento, Pandora retirou a tampa do jarro e os males, que lá estavam enclausurados, saíram, dispersaram-se pelo mundo. Cumpriu-se, então, a vingança divina, revelada na figura feminina de Pandora, detentora de um bem divino em forma de presente que se configurou no mal à humanidade 
– tanto ao homem quanto à mulher.

EVA

Eva, do hebraico, “vivente” ou “a que dá vida”, é a primeira mulher, esposa de Adão e mãe dos viventes. Eva “foi feita (literalmente formada) por Deus a partir de uma das costelas de Adão”.
Deus plantou um jardim em Éden no Oriente, onde colocou o homem, impondo-lhe a condição única para sua existência: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deste modo, para que o homem vivesse em harmonia e em paz, deveria se subordinar a Deus e obedecer a esta condição. Em seguida, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante.” (Gen 2:18).
A mulher, então, pecou e depois deu o fruto ao marido. A tentação da serpente se configura no pecado cometido pela mulher e, em seguida, pelo homem, guiado pela mulher. A primeira consequência desse ato foi homem e mulher perceberem que estavam nus e se esconderam de Deus, porque tiveram medo. Quando Deus os encontra, o homem diz ter recebido o fruto da mulher, e esta dissera tê-lo recebido da serpente. Pelo pecado cometido, todos foram punidos.

LILITH

O demônio feminino, geralmente, é manifestado por meio do espírito de Lilith de acordo com algumas culturas, como a suméria, árabe e outras. Conforme a tradição judaica, Lilith não se entendia com Adão, sobretudo porque não queria estar por baixo dele durante o enlace conjugal. Ela estava insatisfeita, desejava liberdade, mudança e fuga, pois foge para o Mar Vermelho. Nas mitologias a seu respeito, ela é repleta de imagens de desolação, diminuição, vingança e raiva. 
Lilith é conhecida como um demônio noturno de cabelos longos, uma força, um poder, uma renegada e um espírito. Tem aspecto humano, mas possui asas e “sobrevoa as mitologias suméria, babilônia, assíria, canoneia (ou cananeia ), persa, hebraica, árabe e teutônica”. É também popular por agarrar os homens e 
mulheres que dormem sozinhos e provocar-lhes orgasmos noturnos e sonhos eróticos.


Não é possível compreender o lugar social da mulher, sem considerar o contexto histórico que a vincula ao mal, ao pecado a traição e sob tudo a desobediência ao divino.

Pandora na mitologia Grega e Eva na Mitologia Hebraica estão subjugadas a figura demoníaca de Lilith. E todas nós somos herdeiras "do mal primordial". 

"Todas estão submetidas à perspectiva masculina, imposta pelo patriarcalismo, pois Pandora, criada com propósito de vingança de Zeus para com os homens, possui em si o mal que desencadeará a desgraça humana; e Eva, criada com propósito de fazer companhia a Adão, instigada pela serpente, peca quando ambiciona conhecer do bem e do mal, dando início à desgraça humana na terra. Constatam-se então atuações que geram consequências negativas e irreversíveis ao mundo, isto é, possíveis manifestações do espírito de Lilith.  Deste modo, o mito feminino está sempre permeado por essa carga de malefício que Lilith gera, sem serem levados em conta outros aspectos que não sejam tomados da perspectiva patriarcal, pressupondo subordinação e obediência. A figura feminina, de uma forma ou de outra, é ligada ao demoníaco, inferior e oprimido."

Enfim, faço aqui minha homenagem às mulheres que rasgaram mitos e lendas, sartaram das paginas obscuras onde eram personagens, tomando para si a pena o tinteiro e o  papiro para rescrever a história.

Fonte: Ester Zuzo de Jesus http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6657/6114

Lúcia Peixoto - Presidenta da APROFFESP Convida para às Plenárias de 22/...

ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS/AS  DO ESTADO DE SÃO PAULO CONVIDA - Plenárias Regionais e Plenária Estadual TEMÁTI...