segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A filosofia Brasileira: Por Antonio Sidekum

Uma excelente contribuição para o Estudo da filosofia no Brasil

http://www.academia.edu/6433085/A_FILOSOFIA_BRASILEIRA_DO_NOSSO_TEMPO


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

RAP: Comunidade Norte!

Composição de Uribatan Rosa... lá se vão 20 anos desde os primeiros protestos cantados. 
Senhores (políticos, empregados bem remunerados) Olhai para os morros da Periferia!



RAP: Comunidade Norte
Autoria: Uribatan da Silva Rosa

Ô, Ô,Ô,Ô...
O DEUS DA MÍDIA DEIXA BURRO, ILUDE, BATE, ENGANA,
 SÓ QUER PEGAR VOCÊ!

Comunidade Norte estou chegando,
Não vim para agitar, muito menos pra alegrar.
 Me desculpe, quem não ouve, cegos também são.
 Abra os olhos camaradas chega de dizer amém.
Acredito numa vida, prá que esperar demais,
Se temos consciência e podemos transformar melhorar e praticar,
Mas isso não fazemos.
 Omisso sempre seremos.

Mude está cabeça você esta estacionado,
Realidade colorida, deixa o rosto bem marcado,
Marcado pela fome, violência e repressão
Acorde jovem hoje, para aprender a dizer não!
Não para a miséria, gringos e corrupção,
Se ficarmos todos quietos é isso que eles querem
Distantes dos problemas,
Falta de organização.
Querem que eu seja um filho da pátria mãe gentil,
Rotulado no sistema
Como acordar contente
Não ser inconsciente, muito menos delinquente?
Acorda meu Brasil!
Polícia para quem precisa,
Justiça pega quem precisa em Brasília.
Sistema falho, vírus, máfia da corrupção!
Jesus Cristo foi crucificado, morto e sepultado
Exemplo santo, sociedade problema!
E você vai ficar ai parado de braços cruzados?
Prá que pena de morte... com tanta morte sem pena?

Realidade Zona Norte.
Peri Alto Cachoeirinha,
Vista Alegre esta triste
Brasilândia esquecida
No abandono mais promessas vão ficando!
Sofre, morre, nos morros e barracos que soterram
Inocentes criancinhas...
Sou Punk da periferia
Freguesia do Ó
Freguesia vão no pó
Ouro branco não me engana, sai dessa vida bacana!
Silenciosamente, fecha os olhos
Mais um jovem...
Iludido, traído, caído nas ruas de Santana!

Finalizando então, indignado com razão
Abra os olhos e veja esse caos:
Transporte, desemprego, saúde, pesadelo e descriminação!
Estou disposto a encarar
Aqueles que no Rap não acreditar!

Se você é desse tipo cabecinha,
Desclassificado, tapado, tome cuidado
Comodismo, ignorância...
Analfabeto político é burrice  
Que arrasta milhões de cegos sem perdão
Pra serem escravos da desenfreada e drástica situação.
Vamos mudar, levante, acorde, se toque, se ligue...
Autoridades fracassadas da nação
Tudo errado!
Lava essa cara, imagem anticristo
Que só visa o poder
Ficar rico, a custa do pobre
Explorando o assalariado!

Na Ocupação "Futuro Melhor", Jardim Peri Alto, nada melhorou!



http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1208126-para-haddad-pior-lugar-de-sp-e-favela-do-peri-alto-na-zona-norte.shtml

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fragmentos: NA ROLANÇA DO TEMPO

Mario Lago Presente!

"NA ROLANÇA DO TEMPO, um livro que a princípio se poderia considerar passadista, emerge como lúcida página de uma cultura de resistência, pois não cala no peito a alegria de lembrar e a dor de saber que a cada dia se lembra menos."

Mario Lago foi-me dado de presente, o recebi das mãos letradas de um amigo, camarada querido Alfredo Santos garimpeiro de boas memorias o resgatou de um sebo e por algum motivo me julgou merecedora de tão honroso agrado. E cá vou eu, meio Sancho Pança a seguir-lhe os passos combatendo moinhos de ventos!

"... Vi muito, descoberto o ponto onde os horizontes se alongam. Ouvi bastante, atento que sempre estive ao eco de todas as vozes. andei e desandei pelos caminhos possíveis, rasgando os pés na pedra colocada em ponta para que eu parasse..." (pg. 6)



"A vida é jogo jogado
na verdade e na mentira,
não sei de jogo arriscado
que alguém, no fim, não se fira.
Quem mata os que estão na mira
acaba morto mirado.
Meus passos vão pronde eu mando,
pois já escolhi minha sina:
Me chamo Tô te esperando,
meu sobrenome é na esquina."



"O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades."

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Bora marchar...Mestre Paulo Freire!

Para quem ainda não entendeu... Ser camarada de Cristo não me impende ser irmã de Marx!

https://www.youtube.com/watch?v=60c1RapBN7U


Bora "marchar contra a semvergonhice institucional!"

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ode a Mim e àquelas que como Eu não fogem à Luta!!!

Ode a Mim e àquelas que como Eu não fogem à Luta!!!

Eu mulher!
44 anos de uma vida feminina
Passos lentos e apressados
Equilibrando-me no fino fio que é a vida
Menina franzina (La na roça)
Despertava com a Aurora
Fixava o olhar no horizonte
Perdia-me toda nos raios do sol nascente
E quando moça faceira tardava a dormir
Sempre a espreitar os mistérios do Crepúsculo
Ah! Quantas cantigas de roda
Quantos poemas de amor
Quanto riso, quantas lagrimas
Forjaram-me no chão batido da fabrica
8 horas de labuta diária
Mais 4 "amassada" no transporte público de péssima qualidade!
A marmita quase sempre meio que fria
O salário menos que mínimo
Os descontos era coisa que ninguém entendia
Chamaram o sindicato pra explicar
E lá veio a companheira com carro de som
Voz de quem sabia o que falava
(dizem que hoje já não é mais a mesma)
Mas naquele dia vi o Bom Retiro parar
Costureira de braços cruzados
Patrões Judeus, Coreanos, Brasileiros tiveram que explicar!
E a companheira que falava bonito no microfone
Disse que no dia seguinte seria 8 de março
Dia Internacional da Mulher
Dia de celebrar a luta das operarias queimadas
Um arrepio de indignação diante da historia narrada
Foi então que assustada ouvi, meu grito de Não!
Não mais escrava de um sistema nefasto!
Não a exploração da minha classe!
Não!
Não fui mais uma menor escravizada
Com 16 anos me fiz mulher operaria sindicalizada!
Nos 28 anos seguintes
Comi muito ovo frito na marmita mal esquentada
Nunca me deixei ser assediada em ônibus coletivo lotado
Atrasei o crediário das Casas Bahia
Tive meu nome protestado
Casei, separei, engravidei, pari..amei!!!
E junto essas letras mal rimadas
Pra dizer sou mulher de luta
Faço Ode à Rosa de Luxemburgo
Ofereço flores, chocolates, respeito e dignidade
À todas às camaradas!

Conselho de Augusto Boal!

"Eu quero lembrar àqueles que são da minha idade - e quero revelar aos menorzinhos -, que errar faz muito bem à saúde... Desde que se aprenda. Nós aprendemos muito, aprendemos que não podemos continuar errando os mesmos erros que erramos no nosso passado político. Nunca mais os erros de 64: nunca mais a divisão.

Como cada um de nós é uma unicidade, é natural que, mesmo quando pensamos a mesma coisa, pensemos essa mesma coisa de forma diferente. Cada gêmeo, cada família, cada torcedor de um mesmo time, cada membro de uma mesma associação antifascista, cada militante de cada partido político de esquerda, por mais que tenha, com os demais, um sólido denominador comum, pensa de forma diferente a mesma coisa igual. Isso é maravilhoso, é assim que se avança: cotejando opiniões, dialogando entre companheiros, manifestando dúvidas e hesitações.

Mas tem um porém: vezes há em que o combate se dualiza e o mundo se divide em duas metades: não existe terceira metade, não existe a terceira margem do rio. É lá ou cá. É este esse momento: ou cá ou lá!

Em 1964, a esquerda se dividiu em ALN, PCdoB, VAR-Palmares, MR8, PCR e outros: um mais à esquerda, outro menos à esquerda; um, um pouco mais ou menos à esquerda, outro menos ou mais; uma esquerda assustada, timorata e temerosa, outra, afoita, destemida e corajuda. Eram tantas divisões e dissidências, dissidências das divisões e divisões das dissidências, divisões das divisões e dissidências das dissidências, que, nós, que éramos a maioria, que éramos todos contra a ditadura mas estávamos divididos, nós fomos vencidos. Todos. Perdemos para uma ditadura sólida, que também tinha nuances, inimizades, conflitos econômicos, mas eram todos ditadores. Perdemos e pagamos caro a derrota - no espírito e no corpo. Pagamos caro." (Augusto Boal)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

É possível o conhecimento sem as categorias "a priori"?

A “Crítica da Razão Pura” é o livro em que Kant separa os domínios da ciência e da ação. O conhecimento se constrói a partir do fenômeno que alia a intuição sensível ao conceito do intelecto. Assim, são as categorias lógicas que constituem objetos, permitindo que possam ser conhecidos de forma universal e necessária.




O conhecimento é possível sem as categorias “a priori” sugeridas pelo filósofo?


A afirmação de Kant de que “nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.” Nos leva a inferir que é possível o Conhecimento sem as categorias “a priori”. Sendo, no entanto, necessária a distinção entre o conhecimento a priori (necessariamente verdadeiro e universal, já que não depende da experiência) e o conhecimento a posteriori (aquele que é obtido de forma empírica). Ou seja, para Kant, embora não derive da experiência ou intuição sensível, o conhecimento começa com a experiência, não sendo possível um conhecimento puramente racional, um conhecimento que seja obra exclusiva da razão.

Todo o conhecimento possível ao homem está limitado ao campo dos objetos que eu posso enquadrar no espaço e no tempo, aos dados da intuição empírica ou sensível. Ou seja, para conhecer é preciso tanto a razão com seus instrumentos, como a experiência com os fatos da realidade empírica. Compreender o conhecimento na perspectiva da ideia kantiana de conhecimento como composto é fundamental para a superação da dualidade entre o racionalismo e o empirismo.

Destarte, temos em Kant que o conhecimento não se dá de uma única forma é um processo, uma construção para a qual não basta a intuição para termos conhecimento, se é preciso que faculdades de conhecer ativas ajam sobre aquilo que recebemos por meio da intuição, não podemos dizer que todo o nosso conhecimento encontra sua origem na experiencia. 




http://www.deboraludwig.com.br/arquivos/kant_criticadarazaopura.pdf


sábado, 24 de maio de 2014

CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO: LIVRO X (SOBRE A GULA E A CURIOSIDADE)

CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO: LIVRO X (SOBRE A GULA E A CURIOSIDADE)
No Livro X de “Confissões” de Santo Agostinho, observa-se a incansável busca humana pela felicidade, busca essa que segundo o autor se dá no encontro verdadeiro com Deus.  A felicidade não é algo que possa ser experimentada pelos sentidos; ela precisa ser amada e desejada para que, quem procura, seja de fato feliz. A verdadeira felicidade só pode ser experimentada, no entendimento de Agostinho, por alguém que serve a Deus por puro amor.

Para atingir a felicidade plena é necessário o despojamento de todos os pecados que afastam o ser humano de Deus e consequentemente afastam da Felicidade tão almejada. Dentre os pecados que seduzem e aprisionam a alma Agostinho destaca a sedução do perfume, o prazer do ouvido, as seduções que entram pelos olhos, o orgulho, o louvor, a vanglória, o amor próprio a inveja, a gula e a curiosidade, sendo os dois últimos, tema desta nossa breve consideração.

A Gula é apresentada por Santo Agostinho como um dos pecados que nos afastam da graça de Deus e consequentemente nos afastam da Felicidade que buscamos e como os demais pecados devem ser combatidos com jejuns de modo a saciar a fome somente o necessário para a sobrevivência. “A razão do beber e do comer é a conservação da saúde; mas um prazer insidioso acompanha como lacaio essas funções, e sempre tenta tomar a dianteira, de modo que faço pelo prazer o que digo fazer por minha saúde”. Enquanto que a curiosidade é considerada ainda mais perigosa, uma vez que limita o ser humano e o aprisiona ao desejo de por vaidade conhecer além daquilo que lhe é dado a conhecer, disfarça-se de “conhecimento” e “ciência”.

Destarte, em Agostinho a busca da verdade, o encontro com Deus, a felicidade e a superação do pecado são questões subjetivas, uma vez que estão intrinsecamente ligadas aos desejos e anseios de cada individuo, o autor descreve seu doloroso porfiar rumo ao objetivo maior que é estar na graça de Deus, constituindo uma espécie de manual para aqueles que o desejarem seguir. 

http://ebookbrowsee.net/as/as-confiss%C3%B5es-de-santo-agostinho#.U4HObdJdVA0

quinta-feira, 13 de março de 2014

Para revolucionar o pensamento é necessário revolucionar a sociedade!

  • Para revolucionar o pensamento é necessário revolucionar a sociedade!


Karl Marx (1818-1883) 


Do lugar "espiritualista" que me encontro, entendo ser o materialismo histórico de Marx uma importante chave de leitura para compreensão da história real dos seres humanos a partir das condições materialistas nas quais vivem.  O olhar filosófico sobre a obra de Marx nos permite compreender a história em seu movimento dialético, como bem Reflete o comentário do Marxista José Carlos Miranda. (https://www.facebook.com/Miranda.Socialista?fref=ts)

“Em cada etapa da história humana, os homens e mulheres desenvolveram alguma forma de interpretar o mundo e refletiram acerca do lugar que ocupam nele, desenvolvendo assim uma filosofia. Os elementos utilizados para se elaborar esta interpretação foram obtidos mediante a observação da natureza e através da generalização das experiências do dia a dia.
Há pessoas que creem não necessitar de nenhuma filosofia ou concepção do mundo. Contudo, na prática todos têm uma filosofia, inclusive se não está desenvolvida de forma consciente. As pessoas que se guiam pelo mero “senso comum” e que pensam que se saem bem sem a teoria, na prática não fazem mais que pensar à maneira tradicional. Marx dizia que as ideias dominantes na sociedade são as ideias da classe dominante. Para manter e justificar seu domínio, a classe capitalista faz uso de todos os meios disponíveis para distorcer a consciência do trabalhador. A escola, a Igreja, a televisão e a imprensa são utilizadas para fomentar a ideologia da classe dominante e para doutrinar os trabalhadores a aceitarem o seu sistema como a forma mais natural e permanente da sociedade. Na ausência de uma filosofia socialista consciente, aceitam inconscientemente a filosofia capitalista.”
Em cada etapa da sociedade de classe, a classe revolucionária ascendente, que tem por objetivo mudar a sociedade, terá de lutar por uma nova concepção do mundo e terá que atacar a filosofia antiga, que, se baseando na velha ordem, justificava-a e defendia-a.”

A dialética materialista analisa a história do ponto de vista dos processos econômicos e sociais, divididos em  quatro momentos: Antiguidade, feudalismo, capitalismo e socialismo, sendo que os três primeiros sucumbiram às contradições internas.  A contradição da antiguidade é a escravidão; a do feudalismo são os servos; e a do capitalismo é o proletariado. O socialismo seria então a síntese final, momento em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético.

 “A teoria materialista de que os homens são produto das circunstâncias e da educação, e de que, portanto, os homens modificados são produto de circunstâncias distintas e de uma educação modificada, esquece que são os homens, precisamente, os que fazem com que mudem as circunstâncias e que o próprio educador necessite ser educado. Daí que esta doutrina conduza, forçosamente, a dividir a sociedade em duas partes, uma das quais está acima da sociedade. A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação somente se pode conceber e entender racionalmente como prática revolucionária”. (Marx,Terceira Tese sobre Feuerbach)

“O problema de se poder atribuir ao pensamento humano uma verdade objetiva não é um problema teórico, e sim um problema prático. É na prática onde o homem tem que demonstrar a verdade, isto é, a realidade e o poder, a concretude de seu pensamento. A disputa em torno à realidade ou irrealidade do pensamento – isolado da prática – é um problema puramente escolástico(Marx, Segunda Tese sobre Feuerbach).

Destarte, concluo que no momento histórico em que vivenciamos uma crise sem precedentes do capitalismo em todo o mundo, ler, compreender e experimentar na prática a obra de Karl Marx é uma necessidade, uma urgência filosófica, politica e sobre tudo existencial (correndo o risco de ser redundante na conclusão).

Para não concluir: A revolução de Marx na filosofia - reflexões sobre as Teses de Feurbach
http://www.marxismo.org.br/content/revolucao-de-marx-na-filosofia-reflexoes-sobre-teses-de-feurbach 

quarta-feira, 12 de março de 2014

filosofia e debates teóricos

Blog que divulga a produção teórica marxista no Brasil contemporâneo



http://marxismo21.org/filosofia-e-debates-teoricos/

SÓCRATES: Autoconfiança "Conheça-te a ti mesmo"



Sócrates ao proclamar-se ignorante tensionava elevar o debate fazendo com que seu interlocutor percebesse a própria  ignorância, de modo a acessar a sua verdadeira consciência. 

Sócrates  acredita que  a tomada de consciência da própria ignorância se constitui em elemento primordial na busca da verdade.

Como Sócrates, nós educadores devemos alimentar o desejo de auxiliar na edificação de um Ser Humano melhor.

Acredito que quanto maior o conhecimento de si mesmo, maior o autocontrole e a capacidade de dialogar com sigo mesmo e com o meio em que se vive. 

"Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se 
preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e 
com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela 
seja quanto possível melhor, e vou dizendo que a virtude não nasce da 
riqueza, mas da virtude vem, aos homens, as riquezas e todos os outros 
bens, tanto públicos como privados." (Platão)

Fonte: Apologia de Sócrates
http://www.xr.pro.br/if/platao-apologia_de_socrates.pdf




)



No cotidiano da sala de aula, mergulho no universo dos educandos adolescentes indo ao encontro da máxima socrática “só sei, que nada sei”. Constato minha ignorância e forço-me a seguir em frente no difícil e prazeroso porfiar em busca da verdade em si.

O que é a verdade que tanto almejamos? Sócrates dizia que a verdade, quando é possível chegar a ela, está num conceito impossível de contradizer. Logo, a busca da verdade é uma constante, é a práxis filosófica em si mesma, é o distanciar-se do rebanho e contemplar o horizonte com olhar próprio. A verdade só pode ser alcançada quando partimos de nós mesmos com consciência de que somos também o ponto de chegada.

Conformar-se e “seguir o rebanho” é por vezes mais fácil, porém, a passividade é incompatível com a busca da verdade. Sócrates nos ensina que o mais  importante não é o saber e sim o que faremos da sabedoria que julgamos possuir uma vez que a sabedoria deve modificar o ser e purificar a alma. A busca da verdade é concomitante à busca da liberdade, sendo a liberdade pressuposto essencial para atingir a autoconfiança, afinal para haver escolha, é preciso conhecer o objeto escolhido.


Destarte, lecionar filosofia numa perspectiva socrática é aventurar-se nesta viagem incansável em busca da verdade intrínseca a cada ser, assumindo o desafio de “ser obstetra de alma”. Compete ao filosofo professor de filosofia “ajudar a parir a verdade de quem está predisposto a assumi-la”. No entanto, para que o educando se disponha a buscar a verdade filosófica é necessário provocar-lhe o espanto diante do já descoberto e a curiosidade diante dos mistérios do universo e da própria condição humana. 

domingo, 9 de março de 2014

O mito feminino

O LUGAR SOCIAL DA MULHER 

Nós mulheres, protagonistas de nossas histórias sabemos bem o peso quem tem sobre nós, milênios de dominação machista/patriarcal, desde os mitos de criação até os dias de hoje sobre nós recai a culpa da existência do mal, afinal Pandora abriu a caixa, Eva comeu o fruto proibido e seduziu o homem e Lilith não se submeteu. 

PANDORA

Pandora foi criada por Zeus, que deu ordens a Hefestos para que modelasse da terra e água e pusesse voz e força humana, além de feições semelhantes às deusas imortais, com forma de virgem. Depois, todos os deuses colocaram dons na criatura, tanto qualidades como defeitos. Atena lhe ensinou os trabalhos. Afrodite devia lhe pôr além da graça, um terrível desejo e preocupações devoradoras de membros. Ao mesmo tempo em que recebe beleza, possui desejo terrível, configurando sua dualidade boa e má. Hermes, o astuto deus, pôs espírito de cão, que “indica sua capacidade de absorver, com seu ardor alimentar, toda a energia do macho” . Recebeu colares de ouro e flores. Por fim, Hermes colocou em seu peito “mentiras, sedutoras palavras e dissimulada conduta” 
Ela recebeu o nome de Pandora, por possuir todos os dons. 
Após ser enviada a Epimeteu como um presente de casamento, Pandora retirou a tampa do jarro e os males, que lá estavam enclausurados, saíram, dispersaram-se pelo mundo. Cumpriu-se, então, a vingança divina, revelada na figura feminina de Pandora, detentora de um bem divino em forma de presente que se configurou no mal à humanidade 
– tanto ao homem quanto à mulher.

EVA

Eva, do hebraico, “vivente” ou “a que dá vida”, é a primeira mulher, esposa de Adão e mãe dos viventes. Eva “foi feita (literalmente formada) por Deus a partir de uma das costelas de Adão”.
Deus plantou um jardim em Éden no Oriente, onde colocou o homem, impondo-lhe a condição única para sua existência: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deste modo, para que o homem vivesse em harmonia e em paz, deveria se subordinar a Deus e obedecer a esta condição. Em seguida, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante.” (Gen 2:18).
A mulher, então, pecou e depois deu o fruto ao marido. A tentação da serpente se configura no pecado cometido pela mulher e, em seguida, pelo homem, guiado pela mulher. A primeira consequência desse ato foi homem e mulher perceberem que estavam nus e se esconderam de Deus, porque tiveram medo. Quando Deus os encontra, o homem diz ter recebido o fruto da mulher, e esta dissera tê-lo recebido da serpente. Pelo pecado cometido, todos foram punidos.

LILITH

O demônio feminino, geralmente, é manifestado por meio do espírito de Lilith de acordo com algumas culturas, como a suméria, árabe e outras. Conforme a tradição judaica, Lilith não se entendia com Adão, sobretudo porque não queria estar por baixo dele durante o enlace conjugal. Ela estava insatisfeita, desejava liberdade, mudança e fuga, pois foge para o Mar Vermelho. Nas mitologias a seu respeito, ela é repleta de imagens de desolação, diminuição, vingança e raiva. 
Lilith é conhecida como um demônio noturno de cabelos longos, uma força, um poder, uma renegada e um espírito. Tem aspecto humano, mas possui asas e “sobrevoa as mitologias suméria, babilônia, assíria, canoneia (ou cananeia ), persa, hebraica, árabe e teutônica”. É também popular por agarrar os homens e 
mulheres que dormem sozinhos e provocar-lhes orgasmos noturnos e sonhos eróticos.


Não é possível compreender o lugar social da mulher, sem considerar o contexto histórico que a vincula ao mal, ao pecado a traição e sob tudo a desobediência ao divino.

Pandora na mitologia Grega e Eva na Mitologia Hebraica estão subjugadas a figura demoníaca de Lilith. E todas nós somos herdeiras "do mal primordial". 

"Todas estão submetidas à perspectiva masculina, imposta pelo patriarcalismo, pois Pandora, criada com propósito de vingança de Zeus para com os homens, possui em si o mal que desencadeará a desgraça humana; e Eva, criada com propósito de fazer companhia a Adão, instigada pela serpente, peca quando ambiciona conhecer do bem e do mal, dando início à desgraça humana na terra. Constatam-se então atuações que geram consequências negativas e irreversíveis ao mundo, isto é, possíveis manifestações do espírito de Lilith.  Deste modo, o mito feminino está sempre permeado por essa carga de malefício que Lilith gera, sem serem levados em conta outros aspectos que não sejam tomados da perspectiva patriarcal, pressupondo subordinação e obediência. A figura feminina, de uma forma ou de outra, é ligada ao demoníaco, inferior e oprimido."

Enfim, faço aqui minha homenagem às mulheres que rasgaram mitos e lendas, sartaram das paginas obscuras onde eram personagens, tomando para si a pena o tinteiro e o  papiro para rescrever a história.

Fonte: Ester Zuzo de Jesus http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/6657/6114

Lúcia Peixoto - Presidenta da APROFFESP Convida para às Plenárias de 22/...

ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS/AS  DO ESTADO DE SÃO PAULO CONVIDA - Plenárias Regionais e Plenária Estadual TEMÁTI...