segunda-feira, 30 de outubro de 2017

20 DE NOVEMBRO: CONSCIÊNCIA NEGRA!

A África é o nosso berço, a escola nossa mãe e o racismo a negação humana

(Aldo Santos)*


Por Aldo Santos: A campanha pelo feriado Nacional no dia 20 de novembro é em memória a Palmares, Zumbi e todos e todas que tombaram na luta contra a escravidão humana em 1695. Por quase quatrocentos anos a escravidão imperou em solo brasileiro, além de outras partes do mundo. Negros capturados na África eram uma forte moeda para os escravagistas, além de produzir as riquezas para os senhores de engenho e nas cidades como mão de obra escrava. Milhares de negros e negras foram torrados nos tachos dos engenhos, as mulheres estupradas pelos senhores e por vezes mutiladas pelas patroas que viam nelas uma permanente ameaça relacional.

Mas os negros não ficaram passivos diante dessa tragédia humana, ao contrário, reagiram à escravidão com muita coragem e luta. Existiram no Brasil centenas de quilombos, que foram centros de resistência para onde os negros fugiam para se organizarem, viver condignamente e também organizarem a luta contra os capitães-do-mato que serviam como força repressora dos senhores de escravo e dos governos locais.

Na história da humanidade grande parte dos pobres e prisioneiros de guerra de todas as etnias sempre foram escravizados, como na construção de grandes pirâmides no Egito, na grande Babilônia, no período feudal e na época colonial nas Américas. Nesse último caso, comercializar, deportar e matar negros fazia parte da lógica econômica do sistema colonial; no capitalismo emergente, a escravidão de trabalhadores, crianças, senhoras e velhos era prática comum, sendo que trabalhavam por mais de quatorze horas sem descanso até ficarem exauridos de suas forças vitais.

Durante todo esse período os filósofos burgueses ou das classes dominantes naturalizavam a prática da escravidão de ponto de vista econômico, moral, teológico e filosófico, tratando-os como sub-raças inferiores aos demais seres viventes. Houve até alguns “teólogos” que chegaram a afirmar que os negros e negras não tinham alma para justificar o tratamento desumano a que eram submetidos. Adam Smith justificava os fundamentos econômicos do capitalismo, Augusto Comte fortalece o caráter filosófico da sociedade industrial com a máxima que perdura até hoje no governo ilegítimo de Temer com o lema “Ordem e Progresso”, tomado de empréstimo da bandeira nacional. Porém, Karl Marx faz um corte epistemológico ao afirmar que cabe aos escravizados pelo capital, como os operários, os pobres, os intelectuais orgânicos e filósofos organizarem a luta de libertação, transformando a realidade e não naturalizar o mundo opressor construído ao longo da história. Assim como na Roma antiga Spartacus se rebelou e liderou a grande revolta dos escravos, assim também todos os povos têm a condição e o dever de reagirem a qualquer forma de escravidão!

No caso do Brasil, o número de comunidades remanescentes hoje chega próximo de cinco mil segundo dados da fundação Palmares. (http://www.palmares.gov.br/archives/3041).

O Quilombo de Palmares foi um dos mais destacados pelo nível de organização e resistência contra os colonizadores. “Com a formação do quilombo dos Palmares no interior pernambucano (naquele tempo não existia o Estado de Alagoas), dirigido pelo valente Zumbi, cujo nome de batismo era Francisco, tomou impulso, fama e ganhou o nome que hoje tem batizado que foi pelos negros, que chamavam seus habitantes de palmarinos. Desde os seus primórdios, a região era conhecida como os palmares, devido a predominância de sua densa e espessa vegetação, num intrincado de mata fechada que ocupava um extenso território de 260 quilômetros de extensão por 132 quilômetros de largura, em faixa paralela à costa, onde se distribuíam cerca de 50 mil habitantes, cuja faixa territorial situava-se entre o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e a parte norte do curso inferior do rio São Francisco, área situada aonde hoje está localizado o Estado de Alagoas, mas que naquela época pertencia à Capitania de São Salvador (hoje, Bahia).”( https://pt.wikipedia.org/wiki/Palmares).

Em disputa ferrenha contra Ganga Zumba, Zumbi vence a disputa interna e se torna um grande guerreiro e líder daquele povo, cujo significado do seu nome é O Deus das Armas. (http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/principais-quilombos-brasileiros).

Em 1888, mesmo com assinatura de Lei n° 3.353, de 13 de maio de 1888, que declara extinta a escravidão no Brasil, assinada pela Princesa Isabel; sabemos que foi por pressão da Inglaterra que tinha necessidade e interesse econômico em dominar o mercado internacional, portanto, com o “fim da escravidão” buscavam um novo mercado consumidor para suas manufaturas e o mercado brasileiro era muito promissor. Neste contexto entendemos que a Lei da abolição da escravatura se deu mais por interesse econômico e por pressão da Inglaterra do que propriamente por um sentimento humanitário, seja da Princesa, seja da aristocracia dominante durante o Império. Foi também um ato político da família real, uma vez que seu desgaste era grande perante a população e os abolicionistas, dado que apenas 5% dos negros restavam escravizados, pois os demais já haviam se libertado de seus senhores na raça e na luta, ou pagando sua alforria.

Em 15 de novembro de 1889, com uma simples quartelada, comandada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, o país abandona a monarquia e passa a ser, mesmo que de forma autoritária, uma República Federativa.

Na prática, os negros são expulsos das fazendas, sem nenhum direito, e ficaram perambulando pelas estradas, o que os leva a ser articularem e a se organizarem em alguns grupos, originando os núcleos de desvalidos e excluídos pelos poderes públicos, perdurando até os dias atuais, como percebemos nas periferias das cidades e que na capital do Brasil, Rio de Janeiro, ficaram conhecidos como “favelas”, em referência ao Morro da Favela situado na cidade do Rio.

A comemoração oficial da “libertação da escravatura” no dia treze de maio, dia da assinatura da “Lei Áurea” não deixa de ser uma iniciativa das elites de tentarem esconder, como sempre, a história e luta de resistência dos negros no Brasil, assim como se esconde na história oficial todas as lutas e revoltas das camadas populares em diversas regiões desse imenso continente chamado Brasil.

Há mais de trinta anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeriu que se comemorasse em 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, pois essa data era mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o dia 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o Dia da Abolição da escravatura em um de seus poemas, referindo-se à lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver... (https://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/1120---dia-da-nacional-da-consciencia-negra.htm)

O movimento negro diante dessa falta de identidade histórica e política debruça-se na história oral e escrita para recuperar nosso legado e começa a reescrever uma nova história a partir dos “condenados da terra “como o título do livro de Frantz Fanon.

Além da luta e das demandas específicas dos negros e negras, várias cidades passam a celebrar o dia 20 de novembro como o legítimo feriado da consciência negra.

SAIBA QUAIS CIDADES VÃO TER FERIADO NO DIA 20 DE NOVEMBRO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

http://abcdaluta.com.br/post/campanha-pelo-feriado-nacional-no-dia-20-de-novembro-e-em-memoria-palmares-zumbi-e-todos-e-todas-que-tombaram-na-luta-contra-escravidao-humana-em-1695

*Aldo Santos- Presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil, vice Presidente da APROFFESP, militante da apeoesp e do Partido Socialismo e Liberdade

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Poesia para acalentar a`lma!

Insonia, inquietação, corpo casando em demasia
Espirito ansiando por um sopro estoico
(A quietude dos antigos gregos)
Incerteza entre poetizar e deixar-me inerte a meditar
Desligar a racionalidade
Ouvir somente as razões do coração
Músculo condutor do meu sangue vermelho
Que dilata minhas veias
Quando ferve diante da Injustiça
Da covardia dos acomodados!
Causa-me náusea @s morn@s
Que não vivem uma vida gramsciana
Sem coragem de tomar partido
Indiferentes à sua própria sina!
Não sei odiar, nem mesmo os indiferentes
(Tão pouco parafrasear Gramsci)
Junto então minhas mãos em prece
Para que a crise se finde
Para que o velho finalmente Morra
E o novo possa então nascer
Sem que me aflija os mórbidos sintomas
E integra eu passe por esse interregno!
Com a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar
Coragem para mudar aquelas que posso
E sabedoria para distinguir uma da outra
Vivendo um dia de cada vez!

Que assim seja!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

MEU NOME: MULHER!!!

"No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!"
(Autora Desconhecida)


sábado, 21 de outubro de 2017

SER DE ESQUERDA HOJE!

Por: Valerio Arcary

Me perguntam, com frequência, o que significa ser de esquerda hoje. Quatro grandes escolhas definem o que significa ser de esquerda.
Em primeiro lugar, ser de esquerda é uma escolha moral. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera todas as formas de exploração e opressão indignas. Quem explora ou oprime alguém não pode ser livre. Não é possível a liberdade entre desiguais.

Em segundo lugar, ser de esquerda é uma escolha de classe. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera que o movimento dos trabalhadores é a nossa referência de esperança, e suas lutas são as nossas.

Em terceiro lugar, ser de esquerda é uma escolha política. Ao ser de esquerda abraçamos um projeto de luta pelo poder. Os trabalhadores devem governar para transformar a sociedade em função da satisfação das necessidades da maioria.

Por último, ser de esquerda é uma escolha ideológica. Ao ser de esquerda abraçamos o socialismo como aposta estratégica, ou seja, defendemos uma sociedade em que deveremos ser socialmente iguais, humanamente diferentes, e totalmente livres. Essa opção nos coloca em oposição à propriedade privada, portanto, ao capitalismo.
Esse programa não é possível em um só país. Ser de esquerda, portanto, significa ter um compromisso internacionalista com a luta pela igualdade social.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

NOTA DA APROFFESP: Nota contra o PL N° 920/2017 do governador Geraldo Alckmin que ataca os direitos dos servidores públicos do Estado de São Paulo


Em mais de duas décadas de governos tucanos no Estado de São Paulo, sofremos muitos ataques contra os direitos trabalhistas, com enormes perdas salariais, falta de negociação, o desrespeito, as mentiras, etc. Os professores/as sofrem há quase quatro anos sem reposição das perdas inflacionárias e a constante desvalorização profissional; para piorar, na semana que antecede o dia dedicado aos professores, recebemos mais um “presente de grego” na forma do Projeto de Lei N° 920/2017 que, além de manter o congelamento de salários, ameaça os parcos direitos que temos, tais como: evolução funcional, quinquênios, sexta-parte e todas as progressões previstas em cada carreira, sendo que ainda propõe o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14%. É um absurdo, é inadmissível!

A APROFFESP se soma às demais entidades na mobilização contra a aprovação deste Projeto de Lei nefasto e perverso que pretende creditar na nossa conta o ônus de uma crise alimentada pelo próprio PSDB e seus aliados, que em nível nacional patrocinaram o golpe parlamentar e dão sustentação ao governo ilegítimo de Temer e sua “reformas” que atentam contra os direitos constitucionais do conjunto da classe trabalhadora, além de todos os ataques aos avanços sociais, culturais e políticos que conquistamos nas últimas décadas, principalmente após a redemocratização do país.

Lembramos aos professores/as que nesses três últimos anos do terceiro governo de Geraldo Alckmin o salário dos secretários de governo, dos deputados estaduais, suas verbas, frota de automóveis e o salário do próprio governador foram reajustados! Ora, para eles a tal crise não existe? Por que somente os servidores públicos da saúde, da segurança e da educação têm de pagar a conta? Por que somos nós os bodes expiatórios de um regime que nos explora e exclui dos benefícios da riqueza gerada por todos? Um sistema que é calcado nos impostos sobre o consumo e na pesada carga tributária que recai principalmente sobre o setor produtivo e nos ombros dos trabalhadores e da “classe média”, um sistema que beneficia os rentistas e banqueiros com altíssimas taxas de juros, que não taxa como devia as grandes fortunas, que não elimina privilégios dos políticos e do judiciário!?

Não queremos as regalias dos altos executivos das empresas ou dos políticos e membros dos altos escalões do Judiciário, como o auxílio-moradia de R$4.750,00 dos juízes e desembargadores e verbas para comprar gravatas e ternos em Miami; queremos apenas o justo para continuar nosso trabalho como educadores sem adoecer ou estafar. É claro que o auxílio-alimentação poderia ter um valor maior, pois os R$8,00 do “vale-coxinha” é ridículo; e quem ganha acima de 141 UFESPs não o recebe!!! Assim como é ridículo o valor da hora/aula de um professor PEB 2 no início de carreira: R$12,08! Será que os parlamentares e os governos estaduais e federal não têm vergonha na cara quando dizem na mídia e nas campanhas que sua prioridade é a educação!? E ainda nos ameaçam de cortar o piso salarial nacional conquistado em 2008? E fazem propaganda enganosa com esse tal de “novo ensino médio”! E vêm nos dar parabéns no “Dia dos Professores”!?

Convocamos as professoras e professores, filósofas e filósofos, para cerrar fileiras pela retirada do PL 920/17, contra a perda de direitos e exigindo que o governador Geraldo Alckmin abra negociação e atenda as reivindicações da categoria. Com luta poderemos perder, mas sem ela jamais alcançaremos qualquer vitória!

DIRETORIA DA APROFFESP

CALENDÁRIO DE LUTA
DIA 26 DE OUTUBRO - 15 horas AUDIÊNCIA PÚBLICA na ALESP
DIA 27 DE OUTUBRO - 14 horas ASSEMBLEIA na Praça da República e as 16 horas ATO UNIFICADO DOS SERVIDORES PÚBLICOS - Paulista.

É preciso Lutar, Resistir e não Desistir Jamais!

domingo, 8 de outubro de 2017

Cá com meus botões!

Pensando cá com meus botões...
É o mundo que anda virado?
Ou sou eu que acordei às avessas?
Me sentido peixe fora d'água
Depois de ter me encantado com a tal Modernidade
Me espanta a Pós-Modernidade!
Mundo mercantilizado
Pessoas coisificadas
Sentimentos virtualizados
Verdades relativizadas
Um Asno sentado num trono Imperialista
Guiando a perigosa Águia de cabeça branca
E cá nas terras Tupiniquins outro Asno
Guiando uma porção de Patos por uma Ponte para o passado.
Retrocesso, dependência, escravidão...
Meus botões a tudo ouvem espantados
Enquanto a maioria (dos botões do mundo)
Parecem cegos, surdos e mudos
Espectadores bitolados
Botões presos em suas casas!
Botões......!!!???
Os meus são de rosas.

sábado, 7 de outubro de 2017

Me espanta o caranguejar da história!


Quando me ponho a filosofar emudeço de espanto diante de um mundo caduco a caranguejar...
Programas obsoletos de televisão anunciam como inéditas noticias que dão conta de vira- latas perseguindo o próprio rabo.
Pela internet nas redes sociais, disfarçadas de modernidade caricaturas de ideologias que se pensará mortas, mas na verdade estavam sendo mumificadas. (Por feitiço e não ciência querem voltar à vida). Múmias Nacionalistas que recebem dinheiro não declarado de estrangeiros para disseminar falsos "Movimentos por um Brasil Livre" que nada dizem de novo, reeditam velhas cartilhas nas cores verde e amarela, onde deitam ladainhas em apologia à "moral e a ética", à "família e os bons costumes", "amor à pátria"... tudo em nome de um suposto Deus-Masculino-Proprietário-Branco-Rei!

Ignoram os tolos! e as tolas que dizem amém!

Deus é menina e menino e vive por ai a soprar bolhas de sabão ao vento, enquanto eles correm para cobrir a nudez do corpo humano, vomitando insensatez contra a liberdade de expressão, presos as suas fontes narcísicas "acham feio tudo o que não é espelho", se condenando a morrem de inanição mas não sem antes matar uma legião de mentes rasas que se deixam alimentar pela ignorância de "ismos e fobias". Que se fartem até que seus pobres estômagos regurgitem os excremento de tanto racismo, machismo, xenofobia, homofobia... e outras porcarias mais, que engasguem-se e afoguem-se em sim mesmos.

Quanto a nós!?

Por mais espantadas que estejamos com o "caranguejar da história", é maior o encanto pela utopia que nos guia os passos. Apesar de Temer é preciso lutar, resistir e não desistir jamais!


Gratidão ao Poeta Rafael Rodrigues que inspirou a Reflexão. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Utopia Possível!


“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Eduardo Galeano


Meu olhar se fixa no horizonte... Um que de nostalgia, saudades das utopias da mocidade! Meu pote de ouro ainda está lá... é preciso continuar a caminhada o Arco Íris esta a me esperar!


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Orgulho de ser professora!

Hoje, terceiro dia de atestado médico, sinto-me ainda dolorida na carne que foi cortada e costurada, (anestesia local e 5 pontinhos apenas) a provocar um colossal incomodo na alma... ela sente-se solitária longe do chão da sala de aula (Meu templo sagrado).

Aproveito o forçado hiato para antecipar as merecidas comemorações do 15 de outubro dia dedicado ao professorado para mudar a foto de perfil nas redes sociais. A que escolhi apareço com o "semblante meio cansado" às 12:30 de uma segunda feira depois de 6 aulas seguidas, colando na porta do meu armário (Único espaço de privacidade) um cartaz sindical, tanto quanto meu ofício me orgulha a luta diária na defesa dos nossos direitos e da nossa dignidade.


Pensei em juntar umas palavras rimadas
Quando estou assim (meio nostálgica)
A poesia sai meio respingada
Mais prudente reeditar memorias passadas
Atualizadas no dia a dia da jornada
Me relendo... optei por esse que considero um lindo relato
Ainda que as frases não tenham sido poetizadas!
Transcrevo aqui o relato de 10 de maio de 2012, 00h11!

PROFISSÃO, VOCAÇÃO, REALIZAÇÃO!

Depois de 9 aulas lecionadas, não podia fechar o dia de hoje sem registro.
Logo na primeira aula, às sete da manhã, Teoria do Indivíduo com o 2º ano, 43 alunos na sala de aula! 43 vozes... hipérboles e ninfas ainda a crisalidar. É tanta ânsia de vida multiplicada... que me sinto no Estádio do Morumbi em final de campeonato, Com o meu Corinthians goleando o São Paulo... Na segunda aula mais 30 dos 3º anos com vozes mais afinadas, seguidos de mais 42 de um 1º ano e mais 40... e lá fui eu dia a dentro a filosofar e semear reticências... Ora falando de religião, ora de política, de felicidade vida e morte... burlando o senso comum, desafiando intelectos mal acostumados aos fones de ouvido, música alta e jogos eletrônicos.
“Misturando” Shakespeare com Karl Marx para chegar numa síntese do Sócrates Platônico... Ser ou não ser eis a questão... Tudo é uma questão de ponto de vista e o ponto de vista é sempre o ponto da questão... Visto que existem mais mistérios entre o céu e a terra do que pode supor a vã filosofia... Sigo além do simples pensar o mundo, no exercício da práxis, onde a única certeza valida é que sei que nada sei, mas penso e existo.
Às 00h11 dou por terminado meu dia de professora de filosofia, entregando-me ao abraço de Morfeu, sabendo-me merecedora de suas carícias!
Hoje, terceiro dia de atestado médico, sinto-me ainda dolorida na carne que foi cortada e costurada, (anestesia local e 5 pontinhos apenas) a provocar um colossal incomodo na alma... ela sente-se solitária longe do chão da sala de aula (Meu templo sagrado).


Lúcia Peixoto: Sou PSOL sonho socialismo

Do dia de hoje só espero que passe compassadamente, num constante tic-tac Que os pássaros que ouço ao longe não se cansem de cantar Que a...