Clarice Lispector: Eu simples e complexa assim!

"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O “amar os outros” é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca." 
 Clarice Lispector


Tenho vivido meus dias, sem muita preocupação com o tempo, sei que já vivi mais de meio século, acumulei muita bagagem, mas já não as carrego nas costas, com o passar dos anos vou treinando o desapego, doando coisas e sentimentos. Deixando é verdade, muitas "quinquilharias entulhadas" (coisinhas miúdas que não tem preço, mas valor para mim).

Ah! as coisinhas que guardo...
Coisinhas do século passado...
Coisinhas da pós-modernidade...
Reticência e idiossincrasias!

Neste não contar o tempo, há dias que me basto, outros me sinto meio esvaziada, nos dias de Avestruz, deixo minha cabeça descansar nos buracos que minhas pegadas fazem na terra. Nos dias de Águia,deixo ruflar minhas asas.

Em verso e prosa vou filosofando, quebrando rimas e poetizando a concretude da vida que se faz na abstração do passar do tempo. Parafraseando Lispector, só às vezes piso no chão com os dois pés no presente, um pé meu, sempre brinca no passado enquanto o outro pé se aventura no futuro, (de pernas para o alto, cabeça no mundo da lua) me equilibro na corda imaginária, sob o nada à gastar minhas horas.





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