Projeto: Mais ou Menos Cinquenta. (Teatro do Oprimido)

Projeto: Mais ou Menos Cinquenta. (Teatro do Oprimido)

Objetivo: O Projeto + ou - 50 tem como objetivo oferecer oficinas culturais e fomentar rodas de conversa e ações afirmativas tendo como foco as questões que envolvem os processos da envelhescência.

Descrição do projeto: O Projeto nasce da necessidade de acolhimento ao público-alvo, no que se refere ao enfrentamento das questões próprias da envelhescência.*

Público-alvo: Pessoas que se auto identifiquem na fase da envelhescência.

Justificativa: A envelhescência é uma fase do desenvolvimento humano que ocorre entre a idade adulta e a velhice, marcada por profundas transformações psicossomáticas e pela ressignificação do processo de envelhecer. Período análogo à adolescência, no sentido de ser uma fase de transição que exige um intenso "trabalho psíquico" de reestruturação da identidade e do projeto de vida. (Fase não necessariamente definida pela idade cronológica, "há quem envelheça muito cedo e há quem se mantenha jovem para além do tempo".) Desenvolver o autocuidado e o fortalecimento de uma rede de apoio nessa fase é fundamental para garantir a qualidade de vida.

Metodologia:
A partir do Método do Teatro do Oprimido desenvolver em parceria com entidades afins, Oficinas culturais, rodas de conversas, etc… (Encontros semanais por um período mínimo de 2 meses)

Método do Teatro do Oprimido: O Teatro do Oprimido (TO) é uma metodologia teatral criada por Augusto Boal que usa o teatro como ferramenta para a transformação social e reflexão crítica através da Árvore do Teatro do Oprimido uma metáfora visual que representa a estrutura pedagógica e as diversas técnicas do método criado por Augusto Boal. Nela, as técnicas são divididas em raízes, tronco e galhos, simbolizando as diferentes vertentes e seus objetivos.

Estrutura da Árvore

Raízes: Representam a base filosófica e ética do Teatro do Oprimido.

Ética: Fundamentada na solidariedade e no respeito ao ser humano e ao Meio Ambiente

Estética: Propõe uma nova visão de arte, não como um fim em si mesma, mas como um meio de transformação social.

Política: Busca a conscientização e o empoderamento dos oprimidos.

Tronco: Simboliza o Teatro Imagem, uma técnica que usa a linguagem corporal e esculturas humanas para expressar problemas, sentimentos e opressões. É o alicerce para as técnicas mais complexas, pois ajuda a revelar a opressão de forma visual e concreta.

Galhos: Representam as diversas técnicas que florescem a partir do tronco do Teatro Imagem, abordando as opressões de maneiras distintas. Teatro Jornal: Usa notícias de jornal para dramatizar e analisar criticamente eventos sociais e políticos.

Teatro Invisível: Encena situações de opressão em espaços públicos, sem que o público saiba que se trata de uma peça de teatro.

Teatro Fórum: Uma peça de teatro interativa, na qual o "espect-ator" (público=espectador=ator) é convidado a intervir e mudar o desfecho da história, buscando soluções para a opressão encenada.

Arco-Íris do Desejo: Um conjunto de técnicas para analisar as opressões internas e psicossociais, trabalhando a dimensão psicológica do oprimido.

Teatro Legislativo: Traz a experiência do Teatro Fórum para o ambiente legislativo, transformando as propostas em projetos de lei reais.

Conceito e finalidade: O Teatro do Oprimido e sua representação pela árvore não se limitam a uma única técnica, mas oferecem um conjunto de ferramentas inter-relacionadas. O objetivo é que o método se multiplique e frutifique, promovendo o diálogo, a consciência crítica e a busca por soluções concretas para a superação de problemas reais.



* Motivação que originou o projeto: Narrativa da professora Lúcia Peixoto

Segunda feira, 17 de março de 2025, por volta das 17 horas, saída do Hospital do Servidor Público, aplicativo da Uber localizando um motorista parceiro… 20 minutos de espera, 117,00 reais a menos no bolso, perspectiva de chegar em casa, em segurança em 1h50.

Me acomodei no banco traseiro retribuindo a saudação do motorista, homem moreno simpático, falante… em minutos eu soube, que tinha 50 anos, que era solteiro, sem filhos, morador de Sorocaba, crítico das políticas voltadas à defesa dos Direitos Humanos. Sentimento distópico (em partes compartilhadas) em relação ao futuro da humanidade.

Sem muito rodeio quis saber minha idade; (54) profissão; (professora) se era servidora pública, se estava em consulta; (sim) e foi logo aconselhando.

- Tem que cuidar, depois dos 50 começa a dar defeito mesmo, se não é o corpo e com a cabeça.

Fazendo uma analogia ao automóvel (objeto do qual pareceu grande conhecedor) afirmou:

- Gente é pior que carro, carro pelo menos quando dá problema a gente leva na oficina e troca a peça avariada”.

O tema da conversa deveu-se estar eu saindo de uma consulta no Hospital do Servidor Público, quis ele saber respeitosamente “Qual a peça estava dando problema”, embora não me sentisse muito à vontade para falar sobre meus problemas de saúde, o tráfego carregado às 17h45 de uma segunda feira na região da Aclimação em São Paulo e a simpatia do motorista com o qual eu deveria passar no mínimo uma hora e meia até chegar em Caieiras município onde resido, me encorajaram, contei que estava com um “cisto pélvico”, (uma bolsa de água) aproveitando a analogia, expliquei tratar-se de “excesso de água no motor”. Ele ficou em silêncio por alguns instantes e sentenciou.

- Muita água no motor pode causar danos graves, como superaquecimento, fusão de peças e problemas de ignição.

Não estivesse eu, tão preocupada com a gravidade do cisto volumoso e a morosidade dos procedimentos no sucateado Hospital do Servidor Público (Oficina a qual sou há anos conveniada obrigatoriamente, com mensalidades descontadas no meio parco salário de professora), teria achado graça do rumo daquela prosa. Percebendo que ele me observa pelo espelho retrovisor, esbocei um sorriso, (meio forçado) informando que segundo a revisão feita pela equipe médica as peças essenciais para o funcionamento da máquina (meu corpo pós balzaquiano) de mais de meio século de uso estavam em bom estado. Para encerrar o assunto voltei minha atenção aleatoriamente para o celular, (sem sinal, para variar)

Depois de um longo silêncio, e alguns metros avançados, ainda na Avenida do Estado, ele lastimou o trânsito, voltou a contemplar meu semblante cansado e achou por bem me distrair tagarelando sobre os “flanelinhas”. (rapazes com aspecto deplorável, certamente moradores de rua, viciados em drogas) Estendeu uma nota de dois reais implorando para que ele não manchasse seu para-brisa. Sem sucesso, lastimou a situação de desigualdade.

- Tanta gente na rua, dependentes de droga em meio a tanta riqueza dos bairros nobres, a polícia não faz nada, os políticos só pensam em roubar… só Deus por nós!”

Respirei fundo, e repeti

- Só Deus!

Um curto silêncio dessa vez quebrado por mim. Comentei sobre o trânsito, especulei se havia previsão de chuvas e seguimos falando sobre os estragos das últimas chuvas, as árvores caídas, o trânsito… até que ele voltou ao assunto inicial.

É senhora, carro quando dá problema e sempre dá problema a gente leva para a oficina, e a gente? quando dá problema? se não é funcionário público, não tem dinheiro, se socorrer onde? ainda mais depois dos 50, não tem oficina para socorrer não!”

Fiquei sem resposta.

Chegamos ao meu destino. Ele se preparou para aceitar a próxima corrida, eu fiquei matutando. “Depois dos 50 se a gente der “defeito” não tem onde se socorrer”.

Sem saber o simpático e indignado motorista sorocabano se foi me deixando prenha do projeto que hora batizo de "+ ou - 50" Um lugar para manutenção de corpos e mentes “escangalhados” pelas jornadas da vida.


Graduada em Ciências da Religião,
Licenciada e Pós graduada em Ensino da Filosofia
Pós graduanda em Arteterapia.
Filósofa, Poeta, Novelista e Artesã

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