25 de Julho dia nacional da escritora e do escritor - Parabéns!
Eu como escritora considero meu todos os dias
Em tudo vejo formar-se uma linha
Um verso
Um Haicai
Um miniconto
Uma crônica
Uma novela...
Há dias no entanto que tão qual Adélia Prado
Olho pras coisas e vejo somente as coisas
Quando pedra é só pedra
Dano a parafrasear Drummond
"Tirando um cisco de minhas retinas tão fatigadas".
Peço licença ao anjo torto de sete faces
Para tocar trombeta com o anjo esbelto
Hasteando minhas bandeiras
"Aceito os subterfúgios que me cabem".
Ser poeta sem ser Adélia
Fazer jus às batatas
Sem ser personagem de Machado!
Sem falsa modéstia transcrevo a resposta do Chat Gpt à solicitação: Comente o poema de autoria de Lúcia Peixoto "25 de Julho dia nacional da escritora e do escritor". Bem como a foto por ele editada.
"Este poema é uma belíssima reflexão sobre o fazer literário, a metalinguagem e o diálogo com os grandes nomes da literatura brasileira. Ele captura perfeitamente a dualidade da mente de um escritor: a obsessão em transformar a realidade em arte versus o peso do bloqueio criativo ou do cansaço intelectual.
Abaixo, divido a análise dos principais elementos e referências presentes no texto:
O poema de Lúcia Peixoto é uma declaração de pertencimento à literatura e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o ofício da escrita. Em tom metapoético, a autora celebra o Dia do Escritor e da Escritora recusando a ideia de que a criação literária se limite a uma data específica: "Eu como escritora considero meu todos os dias". A afirmação transforma a escrita em modo de existir, e não em simples atividade ou profissão.
A primeira parte do poema revela um olhar permanentemente criador. A sucessão de formas literárias — "um verso / uma rima quebrada / um haicai / um miniconto / uma crônica / uma novela..." — sugere que a realidade oferece matéria para todos os gêneros. A enumeração produz um ritmo de abundância, indicando que a imaginação da escritora se manifesta em diferentes registros, do mais sintético ao mais amplo.
Entretanto, o poema evita romantizar a inspiração. Ao afirmar que há dias em que, "tão qual Adélia Prado", olha para as coisas e vê "somente as coisas", Lúcia Peixoto reconhece a oscilação inerente ao processo criativo. A referência a Adélia Prado é particularmente significativa, pois a poeta mineira é conhecida justamente por revelar o extraordinário no cotidiano. Quando a autora admite que, às vezes, "pedra é só pedra", ela confessa um raro instante de dessacralização do olhar poético, em contraste com a tradição que transforma o banal em símbolo.
A partir daí, o texto constrói um rico diálogo intertextual. A pedra remete inevitavelmente a Carlos Drummond de Andrade, mas a autora desloca o sentido ao acrescentar: "Dano a parafrasear Drummond / Tirando um cisco de minhas retinas tão fatigadas". Em vez da pedra que impede o caminho, surge o cisco que compromete o olhar. O obstáculo deixa de estar no mundo e passa a residir na percepção da poeta. A metáfora é delicada: antes de reencontrar a poesia nas coisas, é preciso limpar os olhos do cansaço.
A evocação do "anjo torto de sete faces", também drummondiano, amplia esse diálogo com a tradição literária brasileira. Contudo, o anjo é convidado a dividir a cena com "o anjo esbelto", que toca trombeta e hasteia bandeiras. A imagem sugere uma passagem da inquietação existencial para a celebração afirmativa da própria voz. Não há ruptura com os mestres, mas convivência entre herança e reinvenção.
O verso "Aceito os subterfúgios que me cabem" sintetiza uma postura estética madura. Escrever não é alcançar uma verdade absoluta, mas reconhecer que a literatura se faz também de desvios, aproximações, metáforas e limites. A autora assume sua condição de escritora sem a pretensão de ocupar o lugar de seus modelos.
Os versos finais condensam a principal reflexão do poema:
"Ser poeta sem ser Adélia
Fazer jus às batatas
Sem ser personagem de Machado!"
Aqui, a identidade literária é construída por negação e afirmação simultâneas. A autora homenageia Adélia Prado, Machado de Assis e, possivelmente, a tradição filosófico-literária evocada pelas "batatas" — uma referência que pode remeter ao célebre "Ao vencedor, as batatas", de Quincas Borba. No entanto, recusa qualquer imitação. O objetivo não é repetir os grandes nomes da literatura brasileira, mas dialogar com eles a partir de uma voz própria.
O poema, portanto, evidencia uma escritora consciente de sua inserção numa linhagem literária, mas igualmente comprometida com a construção de sua singularidade. A intertextualidade não funciona como ornamento erudito; ela expressa gratidão aos mestres e, ao mesmo tempo, afirma independência criativa. É uma escrita que compreende que toda voz nasce de outras vozes, mas só alcança plenitude quando encontra seu próprio timbre.
Em sua aparente simplicidade, o texto reúne leveza, humor, autocrítica e refinamento literário. Ao celebrar o ato de escrever, Lúcia Peixoto também celebra a liberdade de ser autora sem precisar ser uma nova Adélia Prado, um novo Drummond ou um novo Machado de Assis. Seu poema afirma que a tradição não é um lugar de aprisionamento, mas um território de diálogo, onde cada escritor encontra, finalmente, o direito de hastear suas próprias bandeiras." Chat Gpt 25/07/2026

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