Labuta Literária: À João Cabral de Melo Neto (Lúcia Peixoto)
O ato de se expressar pela escrita Tão qual João Cabral de Melo Neto Sentar-se diante da tela (mesmo quando não há inspiração) Convocar pensamentos e sentimentos Deixar a labuta fluir! Catar feijão "Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar esse feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. Ora, nesse catar feijão entra um risco: o de que entre os grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente. Certo não, quando ao catar palavras: a pedra dá à frase seu grão mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a como o risco. João Cabral de Melo Neto Reflexão da IA O poema "Labutar literário" , de Lúcia Peixoto, estabelece uma clara intertextualidade com o poema "Catar Feijão" , de João Cab...