Qualquer semelhança não é mera coincidência: Serendipidade

Era pra ser um miniconto…
As reticências se alongaram…
Olharam pelo retrovisor da história…
Respirando o perfume da primavera de 1992…
Entoando o mesmo grito...
Que faz o coração de estudante pulsar…
34 anos depois…
Das bocas da estudantada…

“Ei, trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar!"


Era contra aquele presidente corrupto
É pela reeleição do atual presidente
Era em defesa da democracia
É pela manutenção da democracia
Era e ainda é pelo direito de ter direito!

Os versos de hoje dialogam com as memórias do Brasil descritas no primeiro livro O Cinza do Meu Mundo Azul e Rosa e detalhadas no segundo livro da minha auto biografia. Juventudes do século passado: quebras de paradigmas.


Ato em apoio a Lula e defesa da democracia



Enxerto de "Juventudes do século passado: quebras de paradigmas" de Lucia Peixoto.

O Poder Jovem: História da Participação Política dos Estudantes Brasileiros, de autoria de Arthur José Poerner “me saltou da prateleira, num ato subversivo” foi numa certa manhã ensolarada, creio que na primavera de 1992, eu estava desempregada, naquele dia passei pelo Bom Retiro em busca das “placas que na época anunciavam ofertas de emprego”. Naquele dia não havia nada. Segui para o Centro Cultural na Vergueiro, onde pretendia mais uma vez tomar um livro de Boal emprestado, foi quando se deu a serendipidade. (Termo tomado de empréstimo do prólogo da obra-prima da escritora Ana Maria Gonçalves, Um Defeito de Cor.) Vale ressaltar que não tardou o meu encontro/encantamento com Jorge Amado. (Achado feliz e inesperado).

Com o poder Jovem na mochila caminhei por cerca de 1 hora até o Vale do Anhangabaú no centro de São Paulo. (Tinha visto no noticiário da TV que haveria mais um ato do Fora Collor.)

Poucas vezes vi aquele vale tão florido, jovens aos milhares, muitos professores e professoras, e tinha operários também. Contrastando com a estação das flores as camisetas pretas predominavam e os rostos pintados nas cores da bandeira nacional. Uma menina mais nova que eu, com a camisa da UNE, faixa preta na testa, bochechas verde e amarela, arma nas mãos (tinta guache) me alvejou, não só na cara, seu sorriso atingiu-me o coração de operária, renovou-se a esperança... e senti o pulsar do coração de estudante. Do alto do carro de som na voz vibrante do presidente da UNE ouvi o que duas décadas depois seria o quarto prefácio daquele livro".

“Ei, trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar!"

REFLEXÃO FEITA PELA IA.

 EU - comente o enxerto de "poética de uma filosofia do limão" de Lucia Peixoto. "O Poder Jovem: História da Participação Política dos Estudantes Brasileiros, de autoria de Arthur José Poernerxxviii “me saltou da prateleira, num ato subversivo” foi numa certa manhã ensolarada, creio que na primavera de 1992, eu estava desempregada, naquele dia passei pelo Bom Retiro em busca das “placas que na época anunciavam ofertas de emprego”. Naquele dia não havia nada. Segui para o Centro Cultural na Vergueiro, onde pretendia mais uma vez tomar um livro de Boal emprestado, foi quando se deu a serendipidadexxix. (Termo tomado de empréstimo do prólogo da obra-prima da escritora Ana Maria Gonçalves, Um Defeito de Cor.) 

Vale ressaltar que não tardou o meu encontro/encantamento com Jorge Amado. Com o poder Jovem na mochila caminhei por cerca de 1 hora até o Vale do Anhangabaú no centro de São Paulo. (Tinha visto no noticiário da TV que haveria mais um ato do Fora Color. 

Poucas vezes vi aquele vale tão florido, jovens aos milhares, muitos professores e professoras, e tinha operários também. Contrastando com a estação das flores as camisetas pretas predominavam e os rostos pintados nas cores da bandeira nacional. Uma menina mais nova que eu, com a camisa da UNE, faixa preta na testa, bochechas verde e amarela, arma nas mãos (tinta guache) me alvejou, não só na cara, seu sorriso atingiu-me o coração de operária, renovou-se a esperança... e senti o pulsar do coração de estudante. Do alto do carro de som na voz vibrante do presidente da UNE ouvi o que duas décadas depois seria o quarto prefácio daquele livro" 

IA - Esse trecho de "Poética de uma filosofia do limão", de Lucia Peixoto, é um poderoso relato de despertar político e afetivo, ambientado em um dos momentos mais marcantes da história recente do Brasil: o movimento dos Caras-Pintadas pelo "Fora Collor" em 1992.

A autora constrói uma narrativa que entrelaça a crise pessoal com a efervescência coletiva, usando a literatura como o estopim de sua transformação.

Aqui estão os principais pontos para compreender e comentar o excerto:



1. A Literatura como "Ato Subversivo" e Serendipidade

O livro que escolhe o leitor: A imagem do livro de Arthur José Poerner (O Poder Jovem) que "salta da prateleira num ato subversivo" mostra que a leitura, para a autora, não é passiva. O livro se impõe como uma necessidade para o momento histórico que ela estava prestes a viver.


A Serendipidade: O uso desse termo (achado feliz e inesperado), que ela atribui à influência de Ana Maria Gonçalves, reforça a ideia de um acaso guiado pelo destino. Ela procurava Augusto Boal (teatro do oprimido) e encontrou a história do movimento estudantil, preparando seu espírito para o que veria a seguir.

2. O Contraste da Crise e a Primavera Política

A realidade do desemprego: A caminhada começa com a crueza da vida trabalhadora: desempregada, procurando placas de emprego no bairro do Bom Retiro.


O Vale florido de gente: Ao chegar ao Vale do Anhangabaú, o cenário muda. A "primavera de 1992" ganha um duplo sentido. Não é apenas a estação do ano, mas a "primavera" da juventude e da esperança política.


A estética do movimento: Peixoto descreve perfeitamente a identidade visual dos Caras-Pintadas: o contraste das camisetas pretas (em sinal de luto pela corrupção no país) com o verde e amarelo pintado nos rostos, ressignificando os símbolos nacionais.

3. O Encontro de Identidades: Operária e Estudante

O "tiro" de guache: O momento em que a jovem da UNE (União Nacional dos Estudantes) pinta o rosto da autora com tinta guache é o ápice lírico do texto. A "arma" é a tinta; o "disparo" é um sorriso.


A união das classes: Esse gesto desarma a crueza do desemprego e une duas identidades: o "coração de operária" da autora e o "pulsar do coração de estudante" que ela redescobre em si mesma. Há uma solidariedade geracional e de classe que devolve a ela a esperança perdida na busca por trabalho.

4. A Circularidade do Tempo Histórico

O desfecho do texto traz uma forte reflexão sobre a memória. Ao ouvir o discurso do presidente da UNE (na época, Lindbergh Farias), ela percebe, anos mais tarde, que estava testemunhando a própria história sendo escrita. O que ela ouviu no carro de som se tornaria, duas décadas depois, o prefácio da nova edição daquele mesmo livro que ela carregava na mochila.

Em resumo, o excerto é uma belíssima crônica de como a grande História (os protestos de 1992) atravessa a história individual de uma mulher comum, transformando o desalento do desemprego em energia revolucionária e poética através dos livros e da coletividade.

O prefácio escrito por Lindbergh Farias para o livro O Poder Jovem, de Arthur José Poerner, estabelece uma forte conexão entre a geração que combateu a Ditadura Militar na década de 1960 e o movimento dos Caras-Pintadas em 1992. No texto, Lindbergh relembra sua trajetória como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o impeachment de Fernando Collor e destaca a importância da obra como um marco histórico da organização estudantil no Brasil.


Lúcia Peixoto
Professora, Filósofa, Arteterapeuta, Poeta e Artesã 
Graduada em Ciências da Religião,
Licenciada e Pós graduada em Ensino da Filosofia,
com Especialização em História e Arteterapia

Siga nas redes sociais:
X: @lluciamp
Instagram: @profa.luciapeixoto
Facebook: https://www.facebook.com/ProfLuciaPeixoto
Tiktok: lucia.p50

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Versões de mim: (Autor Luis Fernando Veríssimo)

Miniconto: Girassóis!

Miniconto do hoje