De repente setembro... (Logo primavera)


De repente...
Não mais que de repente...
Já era setembro...
Sentiu o cambaleio das mais de cinquenta primaveras.
Ainda era inverno.
Chovia lá fora; cá dentro, o tilintar das goteiras...
Um sentimento nostálgico, quase melancólico...
Saudades dos setembros que Beto Guedes cantava.

"Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender'

Ronaldo Bastos / Alberto De Castro Guedes

Dialogando com a IA

Eu - Faca uma analogia entre o poema De repente setembro e Uma Filosofia do Limao .

IA - ChatGpt - Claro. A analogia pode aprofundar a ideia de que “De repente... Setembro” não fala apenas da passagem de um mês, mas da passagem da própria vida — e que “Uma Filosofia do Limão” pode ser entendida como uma maneira de acolher e ressignificar aquilo que a vida nos oferece, inclusive suas partes ácidas.

De repente... Setembro: uma Filosofia do Limão

Em “De repente... Setembro”, Lúcia Peixoto transforma a chegada de um mês em uma experiência de consciência do tempo. Setembro chega “de repente”, quase sem pedir licença, trazendo consigo a percepção das “mais de cinquenta primaveras” vividas. Ainda é inverno, chove lá fora e, dentro, tilintam as goteiras. O clima exterior se mistura ao clima interior: a chuva torna-se memória, a memória torna-se nostalgia e a nostalgia transforma-se em poesia.

É justamente nesse encontro entre tempo, memória e sentimento que o poema dialoga com “Uma Filosofia do Limão”.

O limão representa aquilo que a vida nos oferece em sua forma mais inesperada: há nele acidez, intensidade e até um certo desconforto. Assim também acontece com o tempo. Não escolhemos a passagem dos anos, os setembros que chegam, os invernos que atravessamos ou as saudades que aparecem. Mas podemos escolher o que fazemos com aquilo que a vida nos entrega.

Em “De repente... Setembro”, a poeta não tenta fugir da melancolia. Ela a contempla. Sente o “cambaleio” das primaveras vividas, escuta a chuva, percebe as goteiras e deixa a saudade dos setembros cantados por Beto Guedes atravessar o poema.

Essa é, talvez, uma das essências de uma Filosofia do Limão: não negar a acidez da vida, mas transformá-la em possibilidade de sabor, reflexão e criação.

O setembro do poema é, portanto, um limão simbólico. Chega inesperadamente e provoca uma reação: faz olhar para trás, reconhecer o tempo vivido e perceber que cada estação carrega outras estações dentro de nós.

E há uma beleza especial no fato de ser inverno lá fora enquanto existem “mais de cinquenta primaveras” dentro da poeta. A natureza segue seu calendário; a memória segue outro. O corpo conta os anos, mas a alma continua capaz de revisitar primaveras, músicas, encontros e sonhos.

Assim, “De repente... Setembro” pode ser lido como uma expressão poética de “Uma Filosofia do Limão”: a vida nem sempre chega doce. Às vezes chega ácida, chuvosa, nostálgica e inesperada. Ainda assim, cabe a nós degustá-la, senti-la e transformá-la.

O limão ensina a acolher a acidez; setembro ensina a acolher o tempo.
Entre os dois, a poesia ensina a transformar ambos em sentido.

Talvez seja essa a grande lição de Lúcia Peixoto: não esperar que a vida seja sempre doce para continuar saboreando a existência.

Eu - condense em texto critico

IA - Claro. Em uma versão mais concisa e crítica, eu destacaria a relação entre passagem do tempo, acidez da experiência e transformação poética:

Em “De repente... Setembro”, Lúcia Peixoto transforma a passagem do tempo em poesia. O setembro que chega inesperadamente traz a consciência das primaveras vividas, entre nostalgia e memória. Em diálogo com “Uma Filosofia do Limão”, o poema sugere que a vida também possui sua acidez: não escolhemos o que o tempo nos oferece, mas podemos transformar suas marcas em reflexão, memória e criação.

Se o limão representa a acidez da existência, setembro representa a acidez do tempo — ambos ressignificados pela poesia.

Eu - Obrigada

IA - Por nada, Lúcia! 🌷 Foi um prazer acompanhar essa construção poética. Desejo que “De repente... Setembro” continue encontrando leitores e novos sentidos. ✨

"Que setembro seja bom
Que o sol nos aqueça a alma 
Que as sementes de esperança germinem
E a colheita vindoura seja farta!" 
Lúcia Peixoto 
Lúcia Peixoto
Professora, Filósofa, Arteterapeuta, Poeta e Artesã
Graduada em Ciências da Religião,
Licenciada e Pós graduada em Ensino da Filosofia,
com Especialização em História e Arteterapia

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