Quatro garotas (editando)
TEATRO
PECA Quatro Garotas e um Destino
AUTORIA: Lúcia Martins Peixoto
GRUPO: "ASSYMDKARA"
CENÁRIO: Abstrato
A TRAMA SE DESENVOLVE A PARTIR DO MOMENTO EM QUE
JAQUELINE SE DESCOBRE GRAVIDA AOS 16 ANOS, DEPOIS DO
FIM DO NAMORO COM JEFFERSON, AGORA NAMORADO DE
SUA MELHOR AMIGA KELLY. JAQUELINE MERGULHA EM UM
GRANDE CONFLITO, NÃO SABE O QUE FAZER, E CONTARA
COM A AJUDA DE SUAS TRÈS AMIGAS, KELLY, ADRIANA E
PATRICIA PARA DECIDIR O FUTURO, SEU E DE SEU FILHO.
MUSICAL DE ABERTURA
JAQUELINE NO MUNDO DOS SONHOS
A AURORA DE TRANÇAS DE OURO E DEDOS DE ROSA TRAZ A
LUZ DE UM NOVO DIA, DOENDES E FADAS SAUDAM O REI SOL.
1 FADA: No mistério do Sem-fim, equilibra-se um planeta... é no
planeta, um jardim, e no jardim um canteiro, no canteiro uma violeta, e
sobre ela o dia inteiro, entre o planeta e o Sem-fim a assa de uma
borboleta!
2" FADA: Somos a borboleta... Nosso destino, um jardim, resumo de uma
utopia... a arte da Jardinagem aplicada ao mundo inteiro...
1 FADA: Todo ser humano deveria ser Jardineiro!
3" FADA: O universo tem para além de todas as misérias, um destino de
felicidade...
2" FADA: A Humanidade deve reencontrar a felicidade!... no paraiso
esquecido!
1 FADA Se no teu centro um paraíso não puderes encontrar, não existe
chance alguma de algum dia nele entrar.
2" FADA: No mistério do Sem-Fim, equilibra-se um planeta...
1 FADA: E no planeta um Jardim...
3" FADA: E no Jardim um canteiro...
1" E 2' FADAS: No canteiro uma violeta...
3ª FADA: Sobre ela, o dia inteiro...entre o planeta e o Sem-fim, a asa de
uma borboleta...
JAQUELINE: Queria o jardim dos meus sonhos, aqueles que existem
dentro de mim como saudade... o que eu buscava não era a esfera dos
espaços de fora, era a poética dos espaços de dentro... Eu queria fazer
ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de
alegrias já idas, em busca do tempo perdido!!!
AURORA: A Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância
que existe entre o sonho e a realidade. Mas do que isto: é compreender que
a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho,
quando o sonho se transformar em realidade...
JAQUELINE: Não se vá...aurora, de tranças de ouro e dedos de rosa...
duendes...fadas...não me abandonem... aurora, não quero despertar para
minha triste realidade!
AURORA: Não podes esconder-se no mundo dos sonhos... seu corpo já
despertou para a puberdade aprisionando a alma infantil... Não temas a
realidade, são belos os primeiros anos da puberdade, seu corpo de menina
se transforma em terra fértil, deixe desabrochar a vida... ainda que não
mais me veja em seus sonhos encantados, terás sempre consigo sua fada
madrinha... adormecida em sua alma. (Sai)
JAQUELINE: O dia esta se pondo... com o último suspiro do Rei Sol
finda-se o sonho de minha infância perdida...
CAI A LUZ. SURGE A NOITE TRAZIDA POR CREPUSCULO
***
JAQUELINE: (Recita) Goteja a saudade Perco-me no tempo,do tempo,
com o tempo. E as horas que passam...empurram o passado, e os minutos
caiem, Parecem gotas de esquecimento Que enterram outros tempos.
Olha para dentro de mim: O tempo só corre por fora, o tempo só sopra na
pele, pois, lá dentro, Há um lago de saudade cheio de gotas que contam a
história do tempo que foi... Pois do tempo que passa só fica a saudade e o
espelho do lago sou eu... Deus dei-me a luz de uma nova manhã... (Vê-se
envolvida pela aurora)
CREPUSCULO: (Envolvendo-a) Não sei se vou ou volto não sei se sou
ou findo... O bumerangue, eu noto: vai vindo e vem indo. Reverto a velha
ampulheta, reverte a areia por dentro. Notável que o próprio tempo assim
também não reverta. Que assim também não reverta notável é o próprio
tempo: reverte a areia por dentro quando reverto a ampulheta. Ruínas!
Ruínas! velhas senhoras! Ruínas, renas, cendorrê, nascendo renascendo!
Ruinas! Marcam o ritmo na história... Por que temes o novo tempo?
JAQUELINE: Por que me rouba os sonhos mais belos?
CREPUSCULO: Os sonhos não morrem, apenas adormecem, para que
nasçam outros sonhos mais belos...
JAQUELINE: Ainda quero os mesmos sonhos encantados... desejo fugir
ao pesadelo que envolve minha alma...
SURGE A PAIXÃO (JEFFERSON) ENVOLVENDO-A ELA
ENTREGA-SE A DANÇA DEIXANDO-SE CONDUZIR POR ELE.
PAIXÃO: No divino impudor da mocidade, nesse êxtase pagão que
vence a sorte, num frêmito vibrante de ansiedade, dou-te o meu corpo
prometido à morte! A sombra entre a mentira e a verdade... A nuvem que
arrastou o vento norte... Meu corpo! Trago nele um vinho forte: Meus
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beijos de volúpia e de maldade! Trago dálias vermelhas no regaço... são os
dedos do sol quando te abraço, cravados no teu peito como lanças! E do
meu corpo os leves arabescos vão-te envolvendo em círculos dantescos
...Felinamente, em voluptuosas danças de paixão sem fim... (Entregam-se
em uma louca coreografia)
ELE SE AFASTA SOZINHA JAQUELINE SE DEIXA CAIR NO
CENTRO DO PALCO. SUAS AMIGAS VEEM AMPARA-LA. VIVEM
A SAUDADE DA INFÂNCIA, PRECOSCEMENTE PERDIDA.
JAQUELINE: Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da
minha infância querida que os nos não trazem mais!
KELLY: Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras à
bananeiras,
sombra
Debaixo dos laranjais!
das
ADRIANA: Como são belos os dias do despontar da existência! - Respira
a
alma
inocência
Como perfumes a flor...
PATRICIA: O mar é - lago sereno, o céu - um manto azulado, o mundo -
dourado,
um
A vida - um hino d'amor!
sonho
JAQUELINE: Que aurora, que sol, que vida... que noites de melodia
naquela doce alegria, naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, A
terra de aromas cheia As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!...
Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce à vida
não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha
nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã!
ELAS SE POSICIONAM NAS EXTREMIDADES DO PALCO ONDE
PERMANECEM IMOVEIS. RETORNAM AOS "OITOS ANOS"
JAQUELINE BRINCA COM SUA BONECA
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ueline: Oi filhinha... sentiu falta da mamãe?... vou trocar sua
coupinha... te dar sopinha... e ai você vai nana... (Começa a cantar) Nana
neném, do meu coração... sabe filhinha... quando eu crescer, eu quero ser
artista, fazer novela, filmes... eu vou ser muito famosa...
ENTRA KELLY, ADRIANA E PATRICIA ENTRAM CORRENDO.
Kelly: Oi Jaqueline... Você ta brincando do que?
Jaqueline: (colocando a boneca de lado) de nada...
Patrícia: (Pega a boneca) Eu quero ter muitos filhos... um montão
Jaqueline: Eu quero ser famosa... eu não vou ter filho, a mamãe disse que
criança dá muito trabalho... eu quero estudar, trabalhar... eu vou ser uma
mulher moderna...
Adriana: eu também não quero filhos... ou vou ser bailarina
Jaqueline: Eu quero ser atriz... viajar muito, conhecer o mundo inteiro...
Kelly: Vamos brincar de teatro....
ADRIANA: Dessa vez eu vou ser a mamãe...
KELLY: Como você é boba Adriana... só sabe fazer teatro de mamãe...
Patrícia: Eu quero um conto de fadas...
Kelly: Eu vou ser a Bruxa...
Jaqueline: Eu sou a princesa...
patrícia: Assim não vale você sempre é a princesa.
Adriana: Por que a gente não faz uma cena da novela... aquela em que o
gala beija a mocinha.... é tão romântico!
Kelly: E quem é que vai ser o Gala?
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Patrícia: A gente pode chamar meu primo...
Jaqueline: Aquele chato do marquinhos?
Kelly: Aqueles amiguinhos dele... eu não quero brincar com aqueles
meninos
Adriana: O marquinho é legal... hei! Marquinhos....
Jaqueline: Adriana!... eu não acredito...
MARQUINHOS ENTRA CORRENDO SENDO SEGUIDO POR
RODRIGO E DIEGO
MARQUINHOS: As meninas estão brincando de bonequinha...
Patrícia: Não começa Marquinhos... vocês querem brincar com a gente?
DIEGO: Brincar de boneca?
RODRIGO: (Ninando a boneca de forma gozador) Dorme nenê que a
cuca vem pegar...
JAQUELINE: (Tomando a boneca) Esse bobões só sabem ficar correndo
atrás de pipa...
Adriana: Agente vai montar um teatrinho.... querem participar?
RODRIGO: Teatrinho... sai fora... eu vou é jogar bola... (Sai correndo)
DIEGO: Eu também... isso é coisa de frutinha... (sai correndo)
MARQUINHOS: Eu gosto de teatro...
Patrícia: Então quer brincar com a gente?
DIEGO: Olha lá... um pipa mandado!!! (Passa correndo)
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ARQUINHOS: É meu.... (Sai correndo)
Adriana: Esses meninos!!!
Jaqueline: Eu avisei.... eles só sabem ficar correndo de um lado para o
outro
Kelly: Deixa eles para lá...vamos combinar uma coisa...... vamos fazer um
pacto!
Jaqueline: Que pacto?
Kelly: É um juramento....
Adriana: E a gente vai jurar o que?
Patrícia: Eu vi isso num filme... eles selavam o pacto com sangue...
Jaqueline: Legal...
Kelly: Vamos jurar...e selar com nossa saliva... assim não doe...
Adriana: Ai que nojento...
Patrícia: é mesmo!
Kelly: Vamos jurar, que seremos amigas para sempre... e que nós quatro
vamos ser atrizes, aconteça o que acontecer.
Jaqueline: A gente nunca vai ter segredo uma para outra...
Adriana: E sempre vamos decidir o que fazer, juntas
Patrícia: Legal... como aquele filme dos mosqueteiros... um por todos!
AS TRÊS: Todas por uma!
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SELAM O PACTO E SAEM CORRENDO.
AS QUATRO TRAMATIZAM O FINAL DO POEMA.
JAQUELINE: Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da
minha
infância
querida
Que os anos não trazem mais! livre filha das montanhas, eu ia bem
satisfeita, da camisa aberta o peito, - Pés descalços, braços nus - correndo
Pelas campinas a roda das cachoeiras, atrás das asas ligeiras das borboletas
azuis!
KELLY: Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha
infância querida que os anos não trazem mais! que amor, que sonhos, que
flores, naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras, Debaixo dos
laranjais!
PATRICIA: Naqueles tempos ditosos ia colher as pitangas, trepava a tirar
as mangas, brincava à beira do mar; rezava às Ave-Marias, achava o céu
sempre lindo. adormecia sorrindo a despertava a cantar!
ADRIANA: Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da
infância
minha
querida
que os anos não trazem mais!- que amor, que sonhos, que flores, naquelas
tardes fagueiras a sombra das bananeiras debaixo dos laranjais!
DESPEM-SE DAS ROUPAS ARCO-ÍRIS
PASSANDO A VIVER A REALIDADE
JAQUELINE: O que eu vou fazer da minha vida agora?
KELLY: Isso é um pesadelo Jak...
ADRIANA: Como é que isso foi acontecer... como deixou isso acontecer
Jaqueline?
PATRICIA: A gente sempre conversou tanto...
JAQUELINE: Vocês estão aqui para me ajudar ou para ficar me
julgando... já aconteceu não tem mais volta... o que eu faço... o teste deu
positivo... eu estou grávida!
ADRIANA: E isso ainda não é o pior... não é Kelly?
PATRICIA: Cala a boca Adriana...
KELLY: Deixa ela falar... assim a gente resolve tudo de uma vez
JAQUELIENE: Fala logo o que é pior Dri?
ADRIANA: A Kelly é que tem que falar...
KELLY: Olha só Jak... sabe o quanto eu gosto de você...
JAQUELINE: Não enrola... fala logo...
ADRIANA: Acontece que a Kelly esta namorando com o Jefferson
PATRICIA: Adriana!
ADRIANA: A Kelly tá enrolando tem um tempão... ta dito...
JAQUELINE: O que?... Isso é verdade Kelly?
KELLY: Quando vocês terminaram... eu te perguntei se ainda gostava
dele... você disse que não...
ADRIANA: Acha que ela ia fazer um filho com ele se não gostasse?
KELLY: Eu não sabia... me desculpa Jak... eu vou terminar tudo...
JAQUELINE: O que é isso meu Deus? Eu estou grávida... e o pai do meu
filho esta namorando minha melhor amiga? (começa a chorar
desesperadamente)
PATRICIA: (Abraçando-a) Olha só o que vocês fizeram... calma Jak...
KELLY: Eu não sabia que vocês tinham ido tão logo... eu gosto do Jef...
mas a nossa amizade é mais importante que qualquer coisa...
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ANA; Dos sonhos dela, ou dos seus Kelly...
PATRICIA: Você não esta dizendo isso por causa do Jefferson,
Kelly?
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KELLY: (Muito magoada) Nós fomos amigas a vida inteira e vocês não
me conhecem... eu quero que ele se dane... o que importa aqui a vida da
Jaqueline... poderia ser comigo Jak... eu abortaria.
ADRIANA: Gente nós estamos falando de uma vida... o que esta dizendo
é um grande pecado...
PATRICIA: Eu sempre achei o aborto um crime abominável... nós
apreendemos na catequese que é pecado...
KELLY: Pecado e colocar uma criança no mundo nessas condições...
ADRIANA: Eu realmente não te reconheço Kelly... você teria coragem de
matar seu próprio filho?
KELLY: Pare com esse sentimentalismo... essa criança ainda não esta
formada... eu tenho uma amiga que conhece uma mulher, ela prepara uns
remédios...
PATRICIA: Vamos com calma... isso não pode ser resolvido assim...
ADRIANA: Não tem nada que resolver... ela fez a burrada agora tem que
assumir... você não vai dar ouvido a ela vai Jaqueline?
PATRICIA: Sua família é muito religiosa... a gente sempre acreditou em
Deus... minha mãe sempre diz que quando temos fé, nada é impossível...
JAQUELINE: Não acredito em nada. as minhas crenças voaram como
voa a pomba mansa; pelo azul do ar. E assim fugiram as minhas doces
crenças de criança... Fiquei então sem fé...
ADRIANA: O mundo parou a estrela morreu no fundo da treva o infante
nasceu. Nasceu num estábulo pequeno e singelo com boi e charrua com
foice e martelo. Ao lado do infante o homem e a mulher uma tal Maria um
José qualquer. à noite o fez negro fogo o avermelhou a aurora nascente
todo o amarelou. O dia o fez branco, branco como a luz à falta de um
nome chamou-se Jesus. Jesus pequenino Filho natural. Ergue-te menino é
triste o Natal...
PATRICIA: Ah! quem nos dera que isso, como outrora, inda nos
comovesse! Ah! quem nos dera que inda juntas pudéssemos agora ver o
desabrochar da primavera! saíamos com os pássaros e a aurora, e, no chão,
sobre os troncos cheios de hera, sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"... Amiga querida anima-te, vamos
juntas...as quatro... encantar o mundo com os mais belos poemas, falando
de amor... falando da vida!
KELLY: O amor dos poemas... se vão ao longe roubando-nos a infância...
pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão
serena, que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena... Anjos de
lira dourada debruçaram-se da altura... Não houve, no chão, criatura de
que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura. acordei a quem
dormia, fiz suspirarem defuntos. Um arco-íris de alegria da minha boca se
ergue apondo o sonho e a vida juntos. O mistério do meu canto, Deus não
soube, tu não viste. Prodigio imenso do pranto: - todos perdidos de
encanto, só eu morrendo de triste! por assim tão docemente meu mal
transformar em verso, Oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo
de pólo a pólo contente!
JAQUELINE: Tantas palavras... pelas palavras...frases rimadas...
Mamãe, Papai... eu estou grávida!!! Vergonha desonra... uma filha tão
jovem, tão bela... nasceu para ser artista... agora deve viver escondida com
seu filho bastardo!
JEFFERSON ADENTRA O PALCO
JEFFERSON: Meu filho nunca será um bastardo... ainda que não me
queira...(Para Jaqueline) ainda que tu me queiras (Para Kelly) eu sou o
bastardo... mas não renego ao vento minhas sementes...
PATRICIA E ADRIANA: Bastardo... infeliz que semeia infelicidade...
(Saem)
KELLY: Agora o quadro esta perfeito... papai, mamãe... filhinho... acho
que o grande autor da peça da vida esqueceu-se de escrever para mim um
papel nessa trama.
JEFFERSON: Jak... minha doce e bela ex e sempre namorada... Kelly,
minha realidade... presente...quase passado!!! Odeio frases rimadas... Eu
estou aqui Jaqueline, o que esta feito fizemos juntos... pode contar comigo.
JAQUELINE: Jefferson... eu sabia que não me deixaria sozinha... Kelly...
(Segurando-lhes as mãos) eu entendo o seu amor...por ser espelho do meu
próprio amor
KELLY: O que é o reflexo diante do ser refletido?... não é amor o que
sinto... você tem muito que falar... pensa minha amiga querida... seja como
for...poderás sempre contar comigo... poderão sempre contar comigo...
JEFFERSON: Kelly...
KELLY: Fico feliz de ver seu gesto tão nobre...(Beija-os e sai)
JAQUELINE: Você quer que eu mate o nosso filho?
JEFFERSON: (Olhando-a longamente nos olhos) Traga-me uma faca...
e eu mesmo o arrancarei de suas entranhas... esmagarei com minhas mãos
o fruto do nosso pecado... (Ela recua assustada) Se pensa que sou capaz
de matar meu próprio filho, mato também a ti.... e talvez a mim mesmo...
(Segura pelos braços) O que você quer de mim?
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JAQUELINE: Eu... .não sei...
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JEFFERSON: você quer matar o nosso filho?
JAQUELINE: Matar??? (Acaricia a barriga) não.... Jef... eu não quero
abortar... me ajuda!!!
JEFFERSON: Deixa ele nascer... a gente leva um leiro com os seus
pais... eu não tenho pai... mas minha mãe vai dar uma força... a cora é 10!
Eu só acho que não da pra casar... ainda tem o lance da Kelly... mas deixa
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moleque nascer... a gente cuida dele... quando você for ensaiar seus
teatros eu fico com ele na arquibancada...
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JAQUELINE: Ou ela...
JEFFERSON: Se for menina... vai ser bem bonitinha... com essas
curvas...(Acaricia o rosto dela) Mas se for macho vou botar ele na garupa
da minha moto... vamos dominar essa droga de mundo! (Solta um grito,
fazendo um gesto de liberdade, sai correndo)
JAQUELINE ACARICIA A BARRIGA, OS DOENDES A ENVOLVE
ELA SENTA-SE NO CHÃO. A FADA E A AURORA A ENVOLVEM
COM AS VESTES NAS CORES DO ARCO ÍRIS. CREPUSCULO
CANTA. ENQUANTO ELA DEITA-SE NO CHÃO ABRAÇANDO O
PROPRIO CORPO (Posição fetal)
CREPUSCULO: (canta enquanto a aurora faz coreografia com a fada
e os duendes) Na bruma leve das paixões que vêm de dentro Tu vens
chegando pra brincar no meu quintal no teu cavalo peito nu cabelo ao
vento e o sol quarando nossas roupas no varal Tu vens, tu vens eu já
escuto os teus sinais a voz do anjo sussurrou no meu ouvido e eu não
duvido já escuto os teus sinais que tu virias numa manhã de domingo eu te
anuncio nos sinos das catedrais... (Saem)
ADRIANA, PATRICIA E KELLY ENTRAM TRAZENDO VÁRIAS
SACOLAS. JAQUELINE SE LEVANTA COM A FILHA NOS BRAÇOS.
KELLY: (Segurando o bebê) Vem cá minha princesa... vem com a
madrinha...
ADRIANA: Que história é essa de madrinha... (Pegando-a) Já decidimos
que vai ser no sorteio...
PATRICIA: Assim sendo... quem vai ganhar sou eu... (Pegando-a)
JAQUELINE: (Recuperando a filha) Viu só Joana... vai ser a única
criança com três madrinhas...
LANA: Ainda não acredito que você deu esse nome a ela...
KELLY: E a cara do Jef... Joana D'are!
JAQUELINE: E a cara dela... ela não tem carinha de revolucionária...
PATRICIA: Vamos vestir nossa pequena Revolucionária...
ADRIANA: Eu comprei um vestidinho...
KELLY: Você vai ficar linda igual à madrinha meu amor...
JAQUELINE: Madrinhas!!!... Ta ai... ela vai começar revolucionando
pelo batismo... ao invés de madrinha e padrinho a Joana vai ter Três
madrinhas!
AS TRÊS: Perfeito... (Saem Aplaudindo)
APÓS UM BREVE INSTANTE JEFFERSON ENTRA OLHA
ATENTAMENTE PARA O PÚBLICO.
JEFFERSON: Moral da
história!!!...Nossa
história só
esta
começando... façam sua própria moral... pois nós é que escrevemos
nossa pela vida a fora!!! Podem aplaudir que o pano já vai cair...
AURORA, CREPUSCULA, FADAS E DOENDES CELEBRAM A
CONTINUAÇÃO DA VIDA.
AURORA: Imagine que não há paraíso... É fácil se você tentar ... Sem
inferno embaixo de nós... Acima apenas o céu
FADAS: Imagine todas as pessoas vivendo o dia de hoje...
CREPUSCULO: Imagine que não há paises... Não é dificil de imaginar...
Nada para matar ou morrer... Por nenhuma religião também.......
FADAS: Imagine todas as pessoas vivendo em paz...
JAQUELIENE: Você pode dizer que eu... Sou um sonhador, mas eu não
sou o único
JEFFRSON: Eu espero que um dia você se junte a nós, e o mundo será
um so.
KELI: Imagine que não há bens materiais... Eu imagino se você consegue
ADRIANA: Sem necessidade para ganancia ou fome, una fraternidade de
homens
PATRICIA: Imagine todas as pessoas, dividindo o mundo inteiro
AURORA: Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único
CREPUSCULO: Eu espero que um dia você se junte a nós, e o mundo
vivera como um so.
BAILAM DISTRIBUINDO ROSAS BRANCAS AO PÚBLICO.
Fim.
São Paulo, 20 de maio de 2003
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