Sigo Ivone Gebara: Estrela que brilha em tempos sombrios

Hoje acordei (quase sem ter dormido)
Com um pensamento (não que em outros dias eu não pense)
Acho que sonhei (ou tive um pesadelo) com o tempo.
Me vi inerte deitada de bruços diante do espelho (espelho de narciso)
Encantada (quis permanecer dormindo)
Espantada (me debati na cama, meio acordada)
Este estado em que me encontro agora (talvez Freud possa explicar)
Sonho acordada
Adormecida me sinto asfixiando pela realidade

Será? :“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”.

Acordada respirei

"Ponho o ar lá para baixo das costelas, sinto a barriga ir para fora e depois para dentro sem estufar o peito." repito, repito, repito!

Sigo o árduo porfiar desafiando o tempo
Sigo rumo à Utopia
(Sem me fatigar por estar um passo atrás)
Olho para o passado
(Sem pesar, com gratidão)
Me deixo guiar pelas estrelas de Ivone Gebara
"Estrelas que brilham em tempos sombrios"

"Não tenho dúvidas de que olhar para o passado, ou melhor, para o próprio passado, exige muita coragem e ousadia. Afinal, trata-se de avaliar as escolhas pessoais, de examinar as decisões realizadas ou deixadas de lado, de colocar na balança os acertos e erros, de procurar entender os próprios dilemas, conflitos, impasses, definições e atitudes. Trata-se, de algum modo, de um acerto de contas consigo mesmo e, então, não se admitem desculpas simples, frágeis ou banais. É um olhar -se no espelho, de preferência, a partir de uma relação de transparência: sem máscaras, franca e verdadeira que, aliás, se estabelece no momento presente." (GEBARA, 2021)



"Neste livro, Ivone reflete sobre o seu agora: habitar a velhice, nas suas palavras, enquanto a lucidez ainda a habita. E o faz desenhando seu próprio traço: nomeando o envelhecer numa sociedade que não aceita e não cuida dos seus mais velhos. “O mundo capitalista inventou muitas atividades para idosos, mas nenhuma que preencha o vazio que se apossa de muitos de nós. O que é mesmo este vazio que poucos ousam enfrentar e partilhar?”

Ivone Gebara 


"Diante da envelhecência 
Tirei o pé do acelarador 
Tal qual quando adoleci
 Estou me metamorfoseando
Desejando um longo crisalidar!"
Lúcia Peixoto
Filósofa, Arteterapeuta, Artesã, Profa de Filosofia
Graduada em Ciências da Religião,
Licenciada e Pós graduada em Ensino da Filosofia,
com Especialização em História e Arteterapia

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