Serendipidade: Um defeito de Cor


"Essa descoberta é quase daquele dipo a que chamarei serendipidade, uma palavra muito expressiva, a qual, como não tenho nada de melhor para lhe dizer, vou passar a explicar: uma vez li um ramance bastante apalermado, chamado Os três principes de Serrendip..."
Ana Maria Gonçalves

Das mãos de minha irmã Tereza tomei emprestado o grande e lindo livro, "Defeito de Cor" da grandíssima e lindíssima Ana Maria Gonçalves,*  grande na forma e no conteúdo, lindo igualmente. Já tem dias que o "bonito livro" desfila aqui por casa, de prateileira em sofás, considerado grande demais para ser lido assim "numa carreira". Hoje no entando uma messagem da dita irmã me fez apressar o passo.

- Já terminou de ler o livro? preciso dele!

- Eita... é um grande livro... desses que a gente começa e não vai terminar nunca!



Não posso dizer que fou num serendipilar**... Ai de mim se ele tivesse me caido a cabeça (Como a "Bahia de todos os Santos" saltou sobre Ana Maria Gonçalves) Fato é, abrir esse livrão e me daparar com o titulo desse prefácio foi mais que um "encontro fortuito", sorte de ter por irmã a Tereza que comprou, leu e me agraciou com esse emprestimo que por pouco não deve o mesmo destino da "história dos Males", ser ignorando por sua grandiosidade.



* Ana Maria Gonçalves nasceu em 1970, na cidade de Ibiá, Minas Gerais, e desde a adolescência escrevia poemas e contos, sem chegar a publicar. Formou-se em publicidade e foi trabalhar na área na cidade de São Paulo (SP), até mudar-se para o interior da Bahia. Por lá, Ana Maria começou, enfim, a trabalhar com a Literatura.

Seu primeiro romance, intitulado “Ao lado e à margem do que sentes por mim”, foi publicado de forma independente em 2002, vendendo quase todas as cópias. Alguns anos mais tarde, em 2006, a escritora lançou sua obra mais importante, o romance “Um defeito de cor”, obra ficcional inspirada na história real de Luísa Mahin, heroína da Revolta dos Malês, e seu filho Luíz Gama.

Em 2007, “Um defeito de cor” recebeu o Prêmio Casa de las Américas na categoria literatura brasileira, e no mesmo ano Ana Maria passou a trabalhar como escritora residente na Universidade Tulane, nos Estados Unidos. Trabalhou também na Universidade Stanford, em 2008, e no Middlebury College, em 2009. Enquanto morava fora, a escritora foi condecorada pelo governo brasileiro com a comenda da Ordem de Rio Branco, por serviços prestados ao País por sua atuação antirracista.

Ana Maria voltou ao Brasil em meados da década de 2010, e em 2024 sua obra “Um defeito de cor” foi homenageada como enredo da Escola de Samba Portela no carnaval daquele ano. Em 2025, Ana foi eleita para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo a primeira mulher negra da instituição, e também a membro mais jovem.


** Serendipidade é a capacidade ou o ato de fazer descobertas felizes, úteis ou valiosas por mero acaso. É o famoso "encontro fortuito", onde alguém procura por uma coisa específica, mas acaba esbarrando em algo surpreendente e de grande valor sem ter planejado. 
O termo tem origem na palavra em inglês serendipity, criada em 1754 pelo escritor Horace Walpole, baseada em um conto persa chamado "Os Três Príncipes de Serendip".

Lúcia Peixoto 
Filósofa, Arteterapeuta, Artesã, Professora de Filosofia
Graduada em Ciências da Religião,
Licenciada e Pós graduada em Ensino da Filosofia,
com Especialização em História e Arteterapia

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